Após a Segunda Turma do STF formar maioria, nesta
sexta-feira (13/3), para manter a prisão preventiva de Daniel Vorcaro,
investigadores que acompanham o caso avaliam que uma delação premiada do
empresário está próxima. Segundo apuração da coluna, interlocutores do
banqueiro já sinalizaram à Corte a disposição de Vorcaro em aderir a um acordo
de colaboração.
Relator do processo, o ministro André Mendonça votou
pela manutenção da prisão ao afirmar que os elementos reunidos nas fases da
Operação Compliance Zero indicam “indícios consistentes da prática de diversos
crimes”, incluindo delitos contra o sistema financeiro nacional, corrupção,
organização criminosa e lavagem de dinheiro. O voto foi acompanhado pelos
ministros Kássio Nunes Marques e Luiz Fux.
No voto, Mendonça também apontou que provas
documentais, registros de mensagens e fluxos financeiros analisados pela
Polícia Federal indicam atuação estruturada entre os investigados, “com divisão
de tarefas, característica típica de organizações criminosas”.
Segundo o ministro, as investigações indicam que
Vorcaro atuava diretamente na condução das estratégias financeiras e
institucionais do Banco Master, inclusive em decisões relacionadas à captação
de recursos e à alocação desses valores em estruturas de investimento
vinculadas ao próprio grupo econômico.
Mendonça também registrou que as apurações apontam
interlocução frequente do empresário com servidores do Banco Central
responsáveis pela supervisão bancária, com troca de mensagens e discussões
sobre temas regulatórios envolvendo a instituição financeira.
Ao analisar o pedido de revogação da prisão, o
relator afirmou ainda que o material obtido pela investigação revela riscos a
diversos bens jurídicos e que a adoção de medidas cautelares não poderia
aguardar o término de todas as diligências.
Segundo ele, diante da gravidade do conteúdo já identificado,
seria necessário evitar a “concretização ou agravamento de lesões irreparáveis
à integridade física de pessoas, à economia popular e ao sistema financeiro
nacional”.
Por
Paulo Cappelli – Metrópoles

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