O governo de Donald Trump propôs que o Brasil passe
a receber em prisões nacionais estrangeiros capturados nos Estados Unidos, em
modelo semelhante ao adotado por El Salvador na penitenciária de segurança
máxima Cecot.
A proposta faz parte de uma negociação de cooperação
bilateral contra organizações criminosas transnacionais, que poderá ser
anunciada durante uma futura reunião entre Trump e o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. O encontro, inicialmente previsto para março, deve ocorrer em
abril.
Segundo um alto funcionário americano, Washington
também quer que o Brasil apresente um plano para combater organizações como o
Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV), o Hezbollah e
grupos criminosos chineses atuando no país.
Outra exigência dos EUA é que o Brasil compartilhe
dados, inclusive biométricos, de estrangeiros que solicitam refúgio, como parte
de medidas para conter imigração irregular e crimes transnacionais.
As propostas americanas são uma resposta ao plano de
cooperação apresentado por Lula em 2025, que incluía ações contra lavagem de
dinheiro, bloqueio de ativos ilegais, combate ao tráfico de armas e troca de
informações sobre criptomoedas.
O governo brasileiro ainda não aceitou as condições
e negocia mudanças no acordo. Um dos principais receios do Planalto é que os
EUA classifiquem o PCC e o CV como organizações terroristas, o que, na
avaliação do governo, poderia abrir brecha para ações externas em território
brasileiro.
Enquanto as negociações seguem, equipes dos dois
países trabalham para tentar fechar um acordo antes da possível visita de Lula
a Washington.

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