Depois de observar um crescimento de 1,1% no
primeiro trimestre de 2026, os analistas de mercado consultados pela CNN Brasil
e o Ministério da Fazenda esperam uma desaceleração no acumulado de abril, maio
e junho. Para o segundo trimestre, a equipe econômica espera um avanço de 0,8%.
A notícia é da CNN Brasil. Segundo o Ministério da
Fazenda, o movimento da desaceleração do segundo trimestre será influenciado
por uma expansão menor da indústria e do agronegócio. Dados do Boletim
Macrofiscal de julho indicam que apenas o setor de serviços deve avançar no
período.
Veja
as projeções da Fazenda:
indústria: saiu de 1,2% (1° trimestre) para 0,8% (2°
trimestre);
agronegócio: caiu de 2% (1° trimestre) para 0,6% (2°
trimestre);
serviços: subiu de 0,5% (1° trimestre) para 0,7% (2°
trimestre).
“A moderação repercute os efeitos defasados da
política monetária restritiva, com recuperação prevista para o quarto
trimestre, à medida que a indústria de transformação e a construção ganhem
tração, ainda que em intensidade um pouco menor do que a antecipada
anteriormente, em razão do ciclo de afrouxamento monetário mais curto embutido
nas expectativas de mercado”, diz o Boletim Macrofiscal.
O economista-chefe da Way Investimentos, Alexandre
Espírito Santo, espera uma desaceleração ainda maior no segundo trimestre. O
especialista projeta que a economia brasileira registre um crescimento de 0,4%
no período, abaixo das estimativas do governo federal.
"A Selic segue muito restritiva e a inflação
muito alta, sem contar que o cenário deve piorar com El Ninõ. Todo o impulso
que o governo está dando, e que está sustentando parte do desempenho positivo
[do PIB], será retirado após as eleições. Em 2027, precisamos de ajuste fiscal
com corte de gastos. Será um ano de forte ajuste, vença Lula ou outro, a
desaceleração da economia é minha principal aposta", disse Alexandre ao CNN
Money.
A estimativa de crescimento anual de Alexandre
Espírito Santo para 2026 está em linha com o mercado.
Dados do Boletim Focus divulgados nesta
segunda-feira (27) mostraram que as previsões para o PIB (Produto Inteno Bruto)
ficaram em 1,99% ao fim deste ano.
A projeção do mercado para o PIB de 2026 é menos
otimista do que a estimativa do Ministério da Fazenda, que espera um
crescimento de 2,3%. Caso a previsão da equipe econômica se confirme, será o
mesmo avanço observado em 2025, quando a economia cresceu 2,3%.