O vice-governador do Rio Grande do Norte e
presidente estadual do MDB, Walter Alves, afirmou nesta segunda-feira 22 que o
PT trabalha para enfraquecer sua pré-candidatura a deputado estadual e
desmontar a chapa proporcional do MDB para as eleições de 2026. Em entrevista
ao programa Meio Dia RN, da rádio 96 FM, Walter disse que os ex-aliados tentam
retirar apoios e votos de sua base política e declarou que houve uma tentativa
de “aniquilá-lo” politicamente após sua decisão de não assumir o Governo do
Estado.
Questionado pelo apresentador Bruno Giovanni sobre
informações de bastidores de que o PT estaria atuando para reduzir sua força
eleitoral no interior, Walter respondeu sem hesitar. “Procede. Trabalha. É o
trabalho do não voto, de quebrar nominata. Mas guerra é guerra, meu amigo. Eu
estou pronto para a guerra”, afirmou.
Segundo ele, a estratégia seria enfraquecer o MDB
justamente no momento em que o partido tenta consolidar uma nominata
competitiva para a Assembleia Legislativa. Walter argumentou que a legenda
chega fortalecida à disputa e destacou a influência política construída ao
longo dos últimos anos. “Não é todo mundo que tem 40 prefeitos”, declarou.
O vice-governador afirmou ainda que não pretende
abandonar a vida pública após ter desistido de assumir o Governo do Estado e de
disputar a sucessão estadual. “Quiseram me aniquilar da política. Eu não vou.
Eu vou recomeçar”, disse.
A declaração foi feita ao explicar sua decisão de
disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa após abrir mão de assumir o
Executivo estadual e de ser candidato ao Governo do Estado em caso de renúncia
da governadora Fátima Bezerra (PT) para disputar o Senado. O rompimento de
Walter, que migrou para a oposição, acabou forçando a petista a permanecer no
cargo.
Walter afirmou que seu projeto original era governar
o Estado, mas que estudos financeiros realizados por técnicos, ex-secretários,
pelo MDB nacional e pelo Tesouro Nacional mostraram um cenário que considerou
inviável. “Eu fui pego de supetão, porque o meu desejo era ser candidato a
governador. Infelizmente, por todos os motivos que nós relatamos, não foi
possível.”
Críticas à situação financeira
Ao longo da entrevista, Walter voltou a justificar a
decisão de não assumir o governo em abril de 2026. Segundo ele, os
levantamentos realizados antes da decisão apontavam uma situação fiscal muito
mais grave do que a conhecida pela opinião pública. “Infelizmente, estão se
concretizando os estudos que nós fizemos”, afirmou.
O vice-governador citou números atribuídos ao
Tesouro Nacional para sustentar sua avaliação. “Em janeiro, foi publicada
matéria em jornais nacionais dizendo que o Rio Grande do Norte fechou o ano de
2025 para 2026 com R$ 3 bilhões negativos.”
Walter também mencionou a dívida relacionada aos
empréstimos consignados dos servidores estaduais. “O Estado tem uma dívida de
R$ 362 milhões.”
Na avaliação dele, a situação se agravaria ainda
mais diante da necessidade de cumprir reajustes salariais previstos em lei.
Segundo Walter, se tivesse assumido o Executivo naquele contexto, enfrentaria
imediatamente uma crise com o funcionalismo. “Certamente, teria uma greve.”
Ele afirmou que não estava disposto a assumir uma
administração que, segundo sua análise, teria poucas condições de recuperação
em apenas seis meses. “É uma bomba fiscal que iam jogar no meu colo. Eu teria o
quê? Seis meses para desmontar essa bomba. Como? Nem um super-homem.
Impossível. Eu tive que protelar esse sonho.”
Walter, que é filho do ex-governador Garibaldi Alves
Filho, disse que tomou a decisão por responsabilidade política e para preservar
sua trajetória pública. Em um dos momentos mais duros da entrevista, afirmou
que corria o risco de ser lembrado negativamente caso aceitasse assumir o
comando do Estado. “O cidadão ia dizer o seguinte: ‘Seu pai foi um grande
governador e você foi um dos piores’.”
O vice-governador também rebateu a versão de que as
contas estaduais estariam equilibradas. “Diziam que a folha estava em dia. Onde
está tudo em dia, se não pagou nem o aumento”, afirmou Walter.
Ele citou ainda os contingenciamentos promovidos
pelo governo e afirmou que as receitas estaduais crescem sem que isso se
traduza em capacidade de investimento, devido às restrições orçamentárias. “A
arrecadação do Estado está subindo. O ICMS está bombando. Agora, os
investimentos com recursos próprios estão lá embaixo.”
Apesar das críticas, Walter evitou atribuir
responsabilidades pessoais à governadora Fátima Bezerra quando questionado
diretamente sobre a condução administrativa. Ao mesmo tempo, porém, insistiu
que o próximo governo precisará promover uma profunda reorganização das contas
públicas. “O próximo governador vai ter que fazer um choque de gestão. Não é
blá-blá-blá, não. Vai ter que fazer um choque para valer.”
Outro ponto explorado durante a entrevista foi sua
relação com a gestão estadual. Walter procurou se desvincular das decisões
administrativas tomadas nos últimos anos e afirmou que teve pouca participação
efetiva no governo. “O MDB foi muito importante para a eleição. O que coube ao
MDB foi atrair recursos. Eu não participava da equipe econômica. Eu não
participava de comitê gestor”, enfatizou.
Walter afirmou que tinha conhecimento das
dificuldades enfrentadas pelo Estado, mas não possuía acesso detalhado aos
números. “A gente sabia da dificuldade, obviamente. Mas desmiuçar, conhecer com
detalhe, não.”
Eleições de 2026
Na parte final da entrevista, Walter falou
longamente sobre o cenário eleitoral de 2026 e demonstrou confiança na
capacidade do MDB de ampliar sua representação política.
Ele citou nomes que compõem a nominata da legenda
para deputado estadual, como o ex-prefeito de Assú Ivan Júnior e o ex-deputado
federal Antônio Jácome, e afirmou que a expectativa é eleger dois parlamentares
diretamente e disputar uma terceira vaga pelas sobras. “É uma nominata forte.”
Apesar de ser tratado nos bastidores como favorito à
eleição, Walter rejeitou qualquer clima de vitória antecipada. “Não tem ninguém
eleito. A eleição é dia 4 de outubro.” Também evitou falar sobre a disputa pela
presidência da Assembleia Legislativa na próxima legislatura. “Não tem ninguém
eleito”, resumiu.
Sobre a disputa pelo Governo do Estado, o dirigente
emedebista afirmou enxergar um cenário amplamente favorável à eleição do
ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União), pré-candidato apoiado pelo MDB.
“Eu sinto uma espontaneidade do povo para a eleição do pré-candidato Allyson
Bezerra. Ele caiu na graça do povo.”
Walter também elogiou a escolha do deputado Hermano
Morais, indicado pelo MDB, para compor a chapa como candidato a
vice-governador. “Vai juntar a jovialidade de Allyson com a experiência de
Hermano”, disse o atual vice-governador. “Hoje, baseado nas pesquisas e nas
pesquisas internas do MDB, é uma eleição de primeiro turno.”
Questionado sobre a disputa para o Senado, o
vice-governador reafirmou o compromisso do MDB com a candidatura da senadora
Zenaide Maia (PSD) à reeleição. Sobre o segundo voto para senador, porém,
deixou em aberto a estratégia do grupo político. “Pode ter surpresas aí”,
finalizou.