O ambiente da academia, fechado e com muitas pessoas
facilita a proliferação de fungos, vírus e bactérias transmissores de doenças.
A depender da estrutura do local — as de bairro não costumam ter uma boa
refrigeração — o cenário úmido e abafado favorece ainda mais a proliferação de
agentes nocivos. Por isso, para além dos cuidados com a preparação do corpo, é
preciso ter atenção à limpeza dos aparelhos e pesos.
Mas existem medidas de segurança que você pode tomar
para evitar ao máximo as contaminações. Entre elas, estão passar álcool gel
sempre antes de tocar nos aparelhos e colchões e usar uma toalha sobre os
aparelhos para evitar o contato direto da pele com a superfície do equipamento.
— No vestiário da academia e até mesmo debaixo do
chuveiro, o indicado é sempre usar um chinelo para evitar o contato direto do
pé com o chão potencialmente contaminado — aconselha o dermatologista Luiz
Gameiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Veja abaixo as principais doenças que podem ser
transmitidas na academia. Ao perceber algum sintoma ou sinal, procure por um
médico. Não se automedique.
Escabiose
A escabiose, popularmente conhecida como sarna
humana, é uma parasitose causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variedade
hominis. O contágio ocorre por contato direto com pessoa, roupas ou outros
objetos contaminados. O problema causa bolhas no corpo que podem coçar. A
cicatrização pode deixar manchas na pele.
Conjuntivite
A conjuntivite pode ter variadas causas — viral,
bacteriana ou fúngica. Ela é caracterizada pela inflamação da conjuntiva,
membrana transparente e fina que reveste a parte branca dos olhos e o interior
das pálpebras.
— A transmissão sempre ocorre quando uma pessoa que
está com essa infecção purulenta esfrega a mão nos olhos e depois passa em
algum objeto. Aí uma outra pessoa coloca a mão sobre o local contaminado e leva
aos olhos, gerando um novo processo de conjuntivite — explica Figueiredo.
Verrugas
Existem verrugas virais, que são causadas pelo vírus
do papiloma humano (HPV). O patógeno entra na pele por meio de pequenas lesões,
desenvolvendo a verruga.
— Uma pessoa que tem uma verruga palmar, que aparece
na palma da mão e é conhecida como olho de peixe, quando pega em uma barra da
academia, potencialmente está disseminando aquele vírus. Quando uma outra
pessoa for usar o mesmo aparelho, ela pode acabar sendo infectada. Não
significa que será, mas há um risco — detalha Gameiro.
Foliculites
Bactérias como a Staphylococcus aureus podem
provocar infecções de pele, como as foliculites — inflamação que se inicia nos
folículos pilosos. Ela é caracterizada pela formação de pequenas espinhas, de
pontas brancas, em torno dos pelos. Elas podem coçar e deixar a pele
avermelhada e sensível. A transmissão pode ocorrer em contato com superfícies
contaminadas com o pus que sai das bolhas.
Micoses
As micoses são causadas por fungos — existentes no
ambiente e na própria pele humana — que se proliferam em áreas mais úmidas do
corpo. A transpiração excessiva por conta da atividade física, somada ao
aumento da temperatura e a fricção da pele em alguns aparelhos da academia é a
combinação perfeita para a multiplicação desses microrganismos que fazem mal
quando estão em grande quantidade. As micoses normalmente causam coceira,
escamação da pele e vermelhidão
Banheiros e vestiários da academia, por exemplo,
vivem molhados e normalmente não possuem sistema de refrigeração ou uma boa
circulação de ar. Esse é um local propicio para o desenvolvimento dos fungos.
Por isso, nunca ande descalço e sempre tome banho de chinelo nesses locais.
Doenças respiratórias
Alguns vírus (como o da gripe) sobrevivem por
algumas horas nas superfícies. Se alguém espirra sobre a mão e depois manuseia
um aparelho, outra pessoa pode acabar se contaminando ao encostar no local e
levar a mão ao nariz ou boca.
O Globo













