sábado, 3 de outubro de 2026

TANGARÁ NAS URNAS: O que a eleição de 2022 deixou registrado e como está o cenário de 2026

 

Quatro anos depois, os números de 2022 continuam sendo uma referência histórica para entender a força eleitoral de diferentes grupos em Tangará — mas a eleição de 2026 tem uma realidade própria.

 A eleição de 2026 entra na reta decisiva, e Tangará volta a ocupar espaço no mapa político do Rio Grande do Norte. Antes de olhar para o cenário atual, porém, vale fazer um registro histórico: como o eleitor de Tangará votou para deputado federal e deputado estadual em 2022?

 Os números ajudam a mostrar quais nomes conseguiram transformar apoio político em votos naquela eleição.

 Mas há uma diferença importante: 2022 foi uma eleição; 2026 é outra.

 Por isso, os resultados anteriores não devem ser tratados como pesquisa, previsão ou indicação automática do que acontecerá neste ano.

 O RETRATO DE 2022 PARA DEPUTADO FEDERAL

 Na eleição de 2022, os dez deputados federais mais votados em Tangará foram:

 Dr. Alessandru (Solidariedade) — 1.564 votos (18,92%)

Robinson Faria (PL) — 1.244 votos (15,05%)

Kelps (Solidariedade) — 920 votos (11,13%)

Beto Rosado (Progressistas) — 771 votos (9,33%)

Paulinho Freire (União Brasil) — 657 votos (7,95%)

Natália Bonavides (PT) — 551 votos (6,67%)

Carla Dickson (União Brasil) — 237 votos (2,87%)

Garibaldi Filho (MDB) — 232 votos (2,81%)

Sargento Gonçalves (PL) — 223 votos (2,70%)

General Girão (PL) — 189 votos (2,29%)

Naquele pleito, os votos brancos representaram 6,78% e os nulos, 5,39%.

 Os dados oficiais da eleição de 2022 podem ser consultados no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte.

 E ENTRE OS DEPUTADOS ESTADUAIS?

 No voto para deputado estadual, o resultado de Tangará em 2022 foi:

 Ubaldo Fernandes (PSDB) — 1.279 votos (15,13%)

Tomba Farias (PSDB) — 1.124 votos (13,29%)

Ezequiel Ferreira (PSDB) — 932 votos (11,02%)

Gustavo Carvalho (PSDB) — 880 votos (10,41%)

Hermano Morais (PV) — 771 votos (9,12%)

Cristiane Dantas (Solidariedade) — 723 votos (8,55%)

Wendel Lagartixa (PL) — 319 votos (3,77%)

Francisco do PT (PT) — 232 votos (2,74%)

Vivaldo Costa (PV) — 218 votos (2,58%)

Eduarda Cardoso (Solidariedade) — 151 votos (1,79%)

Os votos brancos foram 5,49% e os nulos, 4,66%.

 O TRE-RN mantém disponíveis os resultados por município e por cargo das eleições de 2022.

 UM DETALHE QUE CHAMA ATENÇÃO EM TANGARÁ

 Os números de 2022 também ajudam a observar uma característica da política local.

 Nomes como Ubaldo Fernandes e Tomba Farias, além dos apoios políticos que conseguem reunir, possuem uma relação eleitoral construída diretamente com Tangará.

 Isso faz com que seus nomes tenham aparecido entre os mais votados do município naquele pleito.

 Mas é justamente aí que está o cuidado necessário: o resultado de 2022 pertence a 2022.

 A composição política mudou, os candidatos podem ser diferentes, os apoios podem ter mudado e o eleitor também pode fazer escolhas diferentes.

 Portanto, não é correto transformar aquela votação em uma projeção matemática para 2026.

 AGORA É 2026

 A eleição deste ano possui uma dinâmica própria.

 Em 4 de outubro de 2026, os eleitores escolherão presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

 Em Tangará, a disputa pelos votos para Assembleia Legislativa e Câmara Federal acontece dentro de um novo cenário político.

 É possível observar alianças, apoios, presença de lideranças e capacidade de mobilização. Mas o resultado somente poderá ser conhecido quando os votos forem depositados e totalizados.

 Não existe, portanto, uma lista oficial de favoritos em Tangará antes da abertura das urnas.

 O que existe são grupos, candidaturas e estruturas políticas disputando espaço.

 E OS APOIOS LOCAIS?

 Uma das questões mais interessantes da eleição municipal é justamente observar quanto dos apoios anunciados consegue chegar efetivamente à urna.

 Tangará já demonstrou em eleições anteriores que ter uma liderança importante ao lado não significa necessariamente receber todos os votos daquele grupo.

 O eleitor pode dividir seus votos, escolher candidatos diferentes para deputado federal e estadual ou simplesmente seguir critérios próprios.

 É por isso que a votação de 2022 deve ser lida como histórico, e não como transferência automática de votos para 2026.

 2026 NÃO DEFINE 2028

 Outro ponto merece atenção.

 A eleição de deputado federal e deputado estadual de 2026 não deve ser utilizada isoladamente para antecipar a eleição municipal de 2028.

 São eleições diferentes, com cargos diferentes e, principalmente, com alianças que podem mudar completamente.

 No cenário atual de Tangará, a oposição aparece dividida em diferentes grupos e projetos políticos. Isso significa que o desempenho de cada grupo em 2026 não necessariamente representará uma composição definitiva para 2028.

 Até lá, novas alianças podem surgir, grupos podem se aproximar, lideranças podem mudar de posição e novos nomes podem entrar no jogo.

 A HISTÓRIA MOSTRA. A URNA DECIDE.

 Se 2022 deixou alguma lição, é que Tangará possui um eleitorado capaz de produzir votações expressivas para nomes com diferentes perfis e grupos políticos.

 Os números daquela eleição ficam como registro.

 2026, entretanto, será escrito pelos eleitores deste ano.

 E, quando as urnas forem abertas, será possível comparar o novo resultado com o histórico e descobrir quais grupos conseguiram manter sua força, quais ampliaram espaço e quais perderam terreno.

 Até lá, qualquer lista de “favoritos” será apenas uma interpretação política.

 A única classificação que realmente vale é aquela que aparece no resultado oficial da eleição.

 Blog Tangaraense


VÍDEO: Cadela de circo é encontrada morta com sinais de violência em Baraúna: “Crueldade”

 



A cadela Mel, também chamada de Cláudia Mel, que havia desaparecido após fugir durante uma apresentação circense, foi encontrada morta nesta sexta-feira (02) no município de Baraúna, na região Oeste do Rio Grande do Norte. O desaparecimento do animal havia mobilizado moradores locais e pessoas que acompanhavam os espetáculos na cidade.

O desfecho foi comunicado por meio das redes sociais pelo tutor do animal, o palhaço Fuxiquinho. De acordo com relatos preliminares compartilhados pelo artista, o corpo do animal foi localizado com indícios de violência grave, apresentando queimaduras e fraturas.

“Gente, a gente achou nossa cachorra, mas, infelizmente, ela não está viva. Mataram a minha cachorra de um jeito mais cruel do que vocês possam imaginar: desmembraram o corpo e deixaram só a pele — quando levamos à polícia, os policiais até pensaram que era um tapete, tamanha a crueldade. Afinal, quem comete uma atrocidade dessas com um animal dócil como a Cláudia Mel é capaz de fazer o mesmo com um humano, uma criança, uma mulher ou um homem. Isso não pode ficar impune”, disse.

O caso provocou manifestações de defensores da causa animal nas redes sociais. 

Com informações de Novo Notícias

 

Corpo de homem é encontrado sem olhos e dentes na zona Oeste de Natal

 


O corpo de um homem foi encontrado em uma área de vegetação no bairro Guarapes, nas proximidades do Village de Prata, na zona Oeste de Natal, na manhã deste sábado (3). De acordo com a Polícia Militar, a vítima teve olhos e dentes arrancados.

Ainda segundo a PM, o corpo do homem, que ainda não foi identificado, também possuía marcas de tiros. "Corpo localizado aqui sem os dois olhos, sem dentes e com algumas perfurações de disparos. Ninguém viu, ninguém escutou, impera a lei do silêncio", comentou um policial militar que atendeu a ocorrência.

A Polícia Científica do Rio Grande do Norte foi acionada para fazer a perícia e o recolhimento do corpo. O caso será investigado pela Polícia Civil. Segundo o que foi apurado pela reportagem da TV Tropical, o local costuma ser utilizado pelo "tribunal do crime".

Grave colisão frontal deixa dois mortos e quatro feridos na BR-304

 




Um grave acidente de trânsito deixou duas pessoas mortas e outras quatro gravemente feridas na manhã deste sábado (3), na BR-304, no município de Riachuelo, no Rio Grande do Norte.

De acordo com as informações da ocorrência, o acidente aconteceu por volta das 10h, no km 241 da rodovia, e envolveu um Hyundai Creta e uma Mitsubishi L200 Triton HPE D.

Os dois veículos se envolveram em uma colisão frontal. Com a violência do impacto, morreram no local o motorista do Creta e uma passageira da L200.

Outras quatro pessoas, todas ocupantes da caminhonete L200, ficaram gravemente feridas e receberam atendimento das equipes de emergência.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e o Corpo de Bombeiros foram mobilizados para atender a ocorrência.

A Polícia Civil e o Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP) também foram acionados para os procedimentos necessários. As circunstâncias que provocaram a colisão deverão ser apuradas.

 

Interferência internacional: Empresa fantasma que trabalhou para Maduro gastou até R$2 milhões em anúncios contra Flávio

 


Uma rede de sites fabricados em série e páginas patrocinadas concentrou ataques a Flávio Bolsonaro (PL) em anúncios pagos, segundo apuração da plataforma A Investigação. A empresa que figura como pagadora de parte das peças, a Corporativo Lam, LLC, já havia usado a mesma conta verificada no Google para divulgar campanhas de órgãos do governo de Nicolás Maduro na Venezuela.

A notícia é do Diário do Poder. O PT levou a operação ao gabinete do ministro Flávio Dino, no STF, como possível caso de “interferência estrangeira” nas eleições. A petição citou 138 anúncios negativos a Lula, número tirado de levantamento da Agência Lupa. O mesmo material, porém, já apontava cerca de 600 peças contra Flávio. Na amostra examinada pela reportagem — 1.428 anúncios de 70 páginas —, 514 foram classificados como ataques diretos ao senador e ele aparece como personagem central em 627.

A Corporativo Lam está registrada em Delaware, estado americano conhecido pelo anonimato dos proprietários. O cadastro indica a formação da empresa e o agente registrado, mas não identifica quem a controla nem quem a contratou para atuar no Brasil. Há indícios que apontam para a República Dominicana; o mandante e a origem do dinheiro seguem sem identificação.

A rede reuniu 76 páginas no Facebook e 40 endereços com aparência de portais brasileiros. Trinta e sete desses domínios foram registrados em 6 de setembro, em sequência de cerca de 50 minutos. Os sites compartilham token de verificação do Google e estrutura de navegação idêntica, embora exibam nomes, marcas e cidades diferentes. Até o fim de setembro acumulavam cerca de 130 mil artigos, muitos reescritos automaticamente a partir das mesmas pautas. Uma mesma matéria política chegou a aparecer em 20 portais no mesmo segundo.

Os anúncios começaram em julho, antes da maior parte dos sites existir. Naquela fase favoreciam Renan Santos (Missão) e atacavam Flávio; a partir de setembro passaram a impulsionar Augusto Cury (Avante), sem tirar o senador do centro dos ataques. Em 23 peças de 20 páginas, a operação reimpulsionou vídeos produzidos pela coligação Lula–Alckmin — com nome e CNPJ da campanha visíveis —, entre eles um que chama Flávio de “o pior dos Bolsonaros” e outros que o associam a Daniel Vorcaro e Rodrigo Bacellar sob a palavra “PRESO”.

Nas faixas informadas pela Meta, o gasto desses 1.428 anúncios fica entre US$ 210 mil e menos de US$ 385 mil (cerca de R$ 1,1 milhão a R$ 2 milhões). O investimento no Google não entra nessa conta. A plataforma removeu parte das peças por descumprimento das regras de publicidade política, sem identificar o contratante.

O histórico venezuelano da Corporativo Lam — 37 anúncios entre abril e maio, inclusive de órgãos do governo Maduro — e o reimpulsionamento dos vídeos da coligação não comprovam que Maduro, Lula ou o PT tenham financiado a ofensiva. Os registros mostram Flávio como principal alvo da rede levada ao STF. Quem encomendou a campanha permanece desconhecido.

 

O apelido "piroca" e o vocabulário da corte de Vorcaro

 


A reportagem "A corte de prazeres de Vorcaro", publicada pela revista piauí, revelou que o promoter Diogo Batista — contratado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para recrutar mulheres para suas festas privadas — tinha um apelido inusitado e íntimo para se dirigir ao dono do Banco Master: "piroca". A informação consta em mensagens trocadas entre os dois e obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro.

Em uma das conversas reveladas pela piauí, no dia seguinte a um encontro no "Wine Bar" — um dos espaços alugados por Vorcaro para suas festas semanais —, Batista escreveu: "Bom dia piroca!!! Chocolatinho mais forte esse heim. pqp." Vorcaro respondeu apenas: "kkk." O "chocolatinho" mencionado se refere aos bombons recheados com cogumelos alucinógenos que o ex-banqueiro oferecia em open bar a seus convidados — droga de sua preferência, segundo a apuração.

O vocabulário interno do círculo de Vorcaro ia muito além do apelido. O ex-banqueiro usava recorrentemente a palavra "quenga", grafada como "kenga", para se referir às garotas de programa que frequentavam seus eventos. Em conversa com o empresário Marcelo Cohen, dono da agência de viagens Be Fly, Vorcaro chegou a testar o envio de uma mensagem de bom dia idêntica para uma lista de transmissão inteira de mulheres, perguntando animado: "O 'oi' chegou normal?" — rindo da ideia de que "toda mensagem fofinha chega em todas".

As mulheres estrangeiras trazidas para a chamada "festa das suíças", no Halloween de 2023, também ganharam um apelido coletivo das brasileiras que notavam os privilégios concedidos a elas: "vorcaretes". Já uma modelo russa, Maryia Lubimova, foi salva nos contatos do celular de Vorcaro simplesmente como "My Future Wife".

 

 

 

TSE forma maioria para negar candidatura de Cícero de Lucena na Paraíba

 


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria nesta sexta-feira (2/10) para barrar a candidatura de Cícero Lucena ao governo da Paraíba nas Eleições 2026. O julgamento, porém, foi interrompido após pedido de vista do ministro André Mendonça e ainda não foi concluído.

A notícia é do Metrópoles. Até a suspensão, três ministros acompanharam o voto do relator Ricardo Villas Bôas Cueva acolhendo recurso do Ministério Público Eleitoral contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), que havia deferido a candidatura. Votaram a favor do impedimento do registro de Cícero os ministros Dias Toffoli, Floriano Marques e Estela Aranha.

A questão ganhou uma dimensão que ultrapassa o resultado imediato da eleição. Isso porque o registro de Cícero permanece sob análise da Justiça Eleitoral e, enquanto estiver sub judice, sua participação no pleito é possível, mas a validade dos votos fica condicionada ao deferimento do registro da candidatura.

A própria legislação eleitoral estabelece que o candidato nessa situação pode fazer campanha e permanecer na urna enquanto houver recurso, mas os votos somente serão validados se o registro for posteriormente deferido.

Na prática, se a maioria formada no TSE for mantida quando o julgamento for retomado e o registro for definitivamente indeferido, os votos recebidos por Cícero não poderão ser validados para que ele assuma o governo.

 

 

Clientes do Bradesco e Banco do Brasil têm limites de cartões zerados

 


Clientes do Bradesco e Banco do Brasil (BB) relataram que tiveram seus cartões de crédito e débito bloqueados ou que receberam avisos de que teriam limites zerados.

A notícia é do Metrópoles. No caso no BB, os clientes foram avisados de que os limites seriam zerados até o dia 31 de outubro, no entanto, clientes relataram que não conseguiram fazer compras já na quinta-feira (1/10).

“Em razão de atualização dos seus limites de crédito no Banco do Brasil, informamos que seu cartão ficará sem limite disponível a partir de 31/10/2026. Mantenha seus dados cadastrais sempre atualizados”, disse a mensagem recebida por alguns usuários do banco.

Segundo o Banco Central (BC), as instituições financeiras podem rever os limites dos meios de pagamento de seus clientes, desde que a redução seja feita com comunicação prévia com, no mínimo, 30 dias de antecedência. Já os aumentos devem ser condicionados à prévia autorização do cliente.

“Os limites podem ser reduzidos sem observância do prazo da comunicação prévia de 30 dias, desde que verificada deterioração do perfil de risco de crédito do cliente, conforme critérios definidos na política de gerenciamento do risco de crédito da instituição financeira”, diz o BC.

 

REVISTA OESTE - Golpe em gestação: Ministros apontam articulação de ala de Gilmar Mendes para contestar a eleição se Flávio Bolsonaro ganhar

 


Por Cristyan Costa para a Revista Oeste

 “Independência, equilíbrio e prudência.” Nunes Marques escolheu essas três palavras para anunciar como pretendia conduzir as eleições de 2026. Era 12 de maio, e o ministro assumia a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma defesa da liberdade de expressão e uma advertência: combater ameaças à democracia não autorizava “excessos incompatíveis com o Estado democrático de Direito”. Quatro anos antes, sob Alexandre de Moraes, o tribunal havia suspendido a divulgação de um documentário da Brasil Paralelo até depois do segundo turno. Agora, o novo presidente prometia contenção. Restava saber quanto espaço teria para praticá-la.

 No Supremo Tribunal Federal (STF), a promessa encontrou desconfiança. Segundo apurou Oeste, uma ala da Corte discutia rever decisões da Justiça Eleitoral caso considerasse insuficiente a atuação de Nunes Marques e de seu vice, André Mendonça. A convivência tinha os contornos de uma trégua sob vigilância. Em junho, no programa Roda Viva, Gilmar Mendes tornou pública a disposição do Supremo de atuar como instância revisora diante de eventual parcialidade do TSE.

 Nos meses seguintes, aquilo que parecia uma divergência jurídica começou a ganhar forma concreta em processos, liminares e decisões contraditórias. Na reta final da campanha, porém, três ministros ouvidos pela reportagem passaram a enxergar algo maior. Para eles, uma ala do Supremo prepara as condições jurídicas e políticas para que a disputa sobre os limites da Justiça Eleitoral não termine com a apuração dos votos. Caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença Lula, a batalha seguinte poderá ser pela legitimidade do próprio resultado.

Construção da narrativa

 Na avaliação dessas fontes, o núcleo político da eventual contestação já está à vista: a suspeita de “interferência estrangeira” na campanha brasileira. Uma iniciativa do PT ajuda a entender por quê. Em 23 de setembro, o partido pediu ao ministro Flávio Dino uma investigação sobre uma possível atuação do governo de Donald Trump em favor de Flávio Bolsonaro. O pedido não foi apresentado em uma ação eleitoral. Entrou em um processo sobre a barragem de Mariana, em Minas Gerais, que já estava sob a relatoria de Dino. A escolha do caminho não era irrelevante. Naquela mesma ação, Dino havia estabelecido meses antes que decisões judiciais estrangeiras referentes ao Brasil só poderiam produzir efeitos no país mediante autorização do Supremo — uma reação às sanções impostas com base na Lei Magnitsky. O PT pediu que essa proteção fosse transportada para a eleição presidencial e alcançasse votação, apuração, proclamação do resultado e até diplomação do vencedor pelo TSE. “São bons de narrativa”, disse a Oeste um ministro, sob reserva. “Querem uma justificativa para questionar a vitória do adversário de Lula e esvaziar o TSE.”

 O partido também requereu a abertura de investigação pela Polícia Federal e acesso a relatórios da Agência Brasileira de Inteligência. Pediu ainda que fossem avaliadas buscas no comitê de Flávio Bolsonaro e na sede nacional do PL, além de quebras de sigilo, mediante representação policial ou requerimento do Ministério Público. A petição cita relações com a organização norte-americana Rockbridge Network, publicidade no exterior favorável ao candidato e conteúdos utilizados por estruturas ligadas ao PL. O próprio documento, contudo, reconhece que o eventual financiamento estrangeiro precisa ser comprovado. Contatos internacionais, manifestações políticas e publicações produzidas no exterior, isoladamente, não demonstram que uma candidatura recebeu recursos ilegais.

 É precisamente nesse espaço entre suspeita e prova que está a preocupação dos ministros ouvidos por Oeste. Uma investigação pode comprovar uma irregularidade. Pode também demonstrar que ela nunca existiu. O temor das fontes é outro: que a acusação adquira força política antes de qualquer conclusão e sobreviva até depois da contagem dos votos. A hipótese dos ministros é que, diante de uma derrota de Lula, a discussão deixe de ser apenas sobre propaganda, abuso de poder ou financiamento de campanha e se transforme em uma questão de soberania nacional. Nesse cenário, a controvérsia sairia da Justiça Eleitoral e chegaria ao Supremo com uma pergunta muito mais grave: uma vitória obtida sob alegada influência estrangeira poderia ser reconhecida? É esse salto — da fiscalização da campanha para a contestação do resultado — que dá dimensão à disputa em curso.

 Disputa de poder

 Outros processos das últimas semanas ajudam a compreender por que os ministros levam essa hipótese a sério. Em 25 de setembro, o vice-presidente do TSE, André Mendonça, determinou a retirada de publicações ligadas à informação falsa de que Flávio pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A ordem atingiu uma publicação do humorista Antonio Tabet. Para contestá-la, Tabet não abriu uma nova ação no TSE nem esperou o julgamento do colegiado eleitoral. Procurou Flávio Dino no Supremo e pediu que o ministro estendesse à publicação os efeitos de uma decisão tomada meses antes em outro caso — um processo envolvendo um vídeo sobre a inelegibilidade do ex-deputado Deltan Dallagnol.

 Uma ação originada de uma disputa eleitoral no Paraná recebia, assim, um conflito da campanha presidencial. Dino acolheu o pedido e suspendeu a ordem de Mendonça antes de o TSE concluir o julgamento. A defesa de Flávio reagiu pelo mesmo caminho: recorreu a Luiz Fux em outra ação já existente no Supremo. Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu a determinação da Justiça Eleitoral. Dentro do próprio STF, portanto, duas decisões individuais apontavam em sentidos opostos sobre uma controvérsia que estava sob análise do TSE.

 O tribunal eleitoral resolveu a questão em 30 de setembro. Manteve a retirada das informações falsas, mas preservou o post de Tabet depois de Mendonça ajustar seu voto. No dia seguinte, Dino reconheceu que seu processo havia perdido o objeto. Fez, contudo, uma ressalva: em questões constitucionais, a última palavra continuaria pertencendo ao Supremo. O episódio terminou. A disputa institucional, não. Antes disso, o Bolsa Família já havia mostrado como uma questão com impacto direto na campanha poderia sair da órbita do TSE. Em 18 de setembro, a pedido da Advocacia-Geral da União, o decano do STF reconheceu a legalidade do reajuste de 15% anunciado por Lula na véspera. Faltavam pouco mais de duas semanas para o primeiro turno. Gilmar decidiu dentro de um processo sobre a implementação da renda básica. Considerou que o aumento cumpria determinação anterior do Supremo e recompunha a inflação. Segundo apurou Oeste, integrantes da cúpula do TSE se irritaram com a iniciativa por entender que uma discussão sobre os limites eleitorais do reajuste deveria ocorrer na Justiça Eleitoral. O padrão se repetia: uma controvérsia surgida no meio da campanha era levada ao Supremo por meio de um processo aberto originalmente para discutir outro assunto.

 Movimentos semelhantes apareceram nos Estados. Em Roraima, uma decisão de Dino sobre prazos de desincompatibilização afetou o registro de Arthur Henrique, candidato do PL apoiado por Flávio Bolsonaro. No Rio de Janeiro, um impasse no Supremo interferiu na sucessão temporária do governo estadual. No Ceará, Floriano de Azevedo Marques impôs restrições a adversários do governador petista Elmano de Freitas, decisão posteriormente suspensa por Mendonça. Os casos têm objetos, personagens e fundamentos diferentes. Não demonstram, isoladamente, uma articulação nacional. Para os três ministros ouvidos por Oeste, porém, ajudam a revelar algo que consideram decisivo: o Supremo já encontrou caminhos processuais para interferir em controvérsias eleitorais enquanto elas ainda estavam submetidas ao TSE.

 Depois das urnas

 É aqui que a preocupação muda de escala. Até agora, as intervenções atingiram publicações, registro de candidatura, acesso a recursos partidários, propaganda eleitoral e decisões administrativas com consequência política. A hipótese discutida nos bastidores do Supremo é que o mesmo mecanismo seja utilizado, depois da votação, sobre um objeto incomparavelmente maior: o resultado da eleição presidencial.

 Na avaliação das fontes, a narrativa de interferência estrangeira daria o fundamento político dessa mudança. A disposição do STF de rever atos do TSE forneceria o caminho jurídico. Os pedidos já apresentados ao Supremo proporcionariam os processos. Faltaria o fato capaz de reunir essas peças: uma derrota de Lula. Se Flávio vencer, dizem os ministros ouvidos pela reportagem, a alegação de ingerência norte-americana poderia deslocar a discussão da contagem dos votos para as condições em que eles foram conquistados. O argumento deixaria de ser apenas o de proteger uma campanha contra uma ameaça estrangeira. Poderia servir para questionar a legitimidade da vitória do adversário.

 Esse ponto é importante porque uma eleição presidencial não pode ser anulada apenas por suspeitas políticas. Seria necessário transformar a acusação em questão jurídica, apontar fatos, estabelecer nexo com a campanha e demonstrar consequência suficiente para comprometer a legitimidade do pleito. É justamente essa distância entre o discurso político e a consequência jurídica que torna decisivo o que ocorrerá depois do primeiro turno. Os três ministros consultados por Oeste não dizem que exista, hoje, uma decisão tomada para impedir a posse de Flávio Bolsonaro. O que afirmam é que estão sendo construídos argumentos, precedentes e vias processuais que poderiam ser acionados caso Lula seja derrotado.

 Essa distinção precisa permanecer clara. A petição do PT não comprova uma operação para invalidar as eleições. As decisões de Dino, Gilmar ou outros ministros tampouco demonstram, isoladamente, uma ação coordenada. O alerta decorre da combinação desses movimentos e da leitura feita por integrantes da própria Corte sobre onde eles podem desembocar.

 Na posse de maio, Nunes Marques prometeu independência, equilíbrio e prudência. Às vésperas da votação, porém, a disputa já ultrapassa os limites de sua presidência no TSE. O que está em jogo, na avaliação dos ministros ouvidos por Oeste, é saber se a autoridade da Justiça Eleitoral continuará valendo quando proclamar um vencedor que uma ala do Supremo não deseja. Se a hipótese dessas fontes se confirmar, a intervenção terá mudado de natureza. Deixará de servir apenas para rever decisões tomadas durante a campanha e alcançará a própria escolha feita nas urnas. A suspeita de interferência estrangeira poderá fornecer o argumento; os processos já abertos, o caminho; e o Supremo, a instância encarregada de decidir até onde vale o resultado proclamado pelo TSE. Nesse cenário, a eleição não terminaria com a contagem dos votos. O eleitor elegeria o presidente, mas a escolha permaneceria sujeita à aprovação de ministros que não receberam um único voto. A vontade popular deixaria de ser soberana. Entre a decisão das urnas e o exercício do poder, estaria a toga.

Revista Oeste

 

PESQUISA GERP: Flávio Bolsonaro tem 49% contra 44% de Lula no 2º turno

 


Pesquisa Gerp divulgada neste sábado (3) mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 49% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aparece com 44%.

Outros 6% afirmaram que não votariam em nenhum dos dois, enquanto 1% não soube ou não respondeu.

No primeiro turno, considerando os votos válidos, Flávio aparece com 46% e Lula com 44%, segundo o instituto. Os 2 estão tecnicamente empatados nesse recorte.

Primeiro turno (votos válidos):

  • Flávio Bolsonaro (PL) – 46%;
  • Lula (PT) – 44%;
  • Augusto Cury (Avante) – 4%;
  • Ronaldo Caiado (PSD) – 3%;
  • Renan Santos (Missão) – 2%;
  • Samara Martins (UP) – 1%;
  • Edmilson Costa (PCB) – 0%;
  • Rui Costa Pimenta (PCO) – 0%;
  • Romeu Zema (Novo) – 0%;
  • Leonardo Avalanche (PRTB) – 0%;
  • Hertz Dias (PSTU) – 0%;
  • Wilson Grassi (Democrata) – 0%;
  • Clariana Barão (DC) – 0%.

A Gerp entrevistou 2.400 eleitores de 30 de setembro a 2 de outubro de 2026 em todo o país. A pesquisa foi realizada por telefone e tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95,55%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00509/2026. A pesquisa custou R$ 20.000 e foi paga com recursos próprios.

 

Vereador do PT é apontado pelo MPSP como líder oculto de esquema de lavagem ligado ao PCC



O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o vereador Senival Pereira de Moura (PT) e outras 20 pessoas por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), por meio de empresas de ônibus.

Segundo a investigação, Senival seria o ‘líder oculto’ da Transunião e teria exercido influência sobre decisões e movimentações financeiras da empresa.

O parlamentar chegou a ser preso em 25 de junho durante a Operação Última Parada, mas foi solto no início de agosto após decisão judicial e responde ao processo em liberdade.

A defesa afirma que Senival é inocente e nega qualquer vínculo com o PCC ou participação em lavagem de dinheiro. O vereador também declarou anteriormente que confia na Justiça e que as acusações serão esclarecidas.

Com informações de Metrópoles

TANGARÁ NAS URNAS: O que a eleição de 2022 deixou registrado e como está o cenário de 2026

  Quatro anos depois, os números de 2022 continuam sendo uma referência histórica para entender a força eleitoral de diferentes grupos em Ta...