A Procuradoria-Geral da República (PGR) se
manifestou contra a apreensão de dinheiro em espécie e de bens de alto valor
durante a operação realizada pela Polícia Federal contra o senador Jaques
Wagner (PT-BA), no âmbito das investigações relacionadas ao caso Banco
Master. A informação consta em documentos tornados públicos pelo ministro André
Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e foi revelada pela
jornalista Malu Gaspar, em sua coluna no jornal O Globo.
Apesar de concordar com a realização da busca e
apreensão, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, entendeu
que a coleta desses bens seria uma medida prematura e excessivamente invasiva.
O entendimento, no entanto, não foi seguido por André Mendonça, que autorizou o
pedido formulado pela Polícia Federal.
Gonet considerou medida prematura
No parecer encaminhado ao STF, Gonet afirmou que a
apreensão de dinheiro e objetos de luxo extrapolava a finalidade da diligência
de busca e apreensão.
“A apreensão de valores e bens de
luxo ou de alto valor não se presta a esse intuito que justifica e legitima a
providência invasiva. A apreensão requerida se mostra, ainda, prematura, porque
a só existência de bens de alto valor nos recintos invadidos não é, por si,
crime“, escreveu o procurador-geral.
O chefe do Ministério Público Federal também afirmou
que a autorização poderia provocar repercussão pública desnecessária.
“Haverá estrépito social e mediático
prescindível, com agravamento desnecessário das interferências inevitáveis que
a medida investigativa exerce sobre direitos fundamentais dos investigados“,
registrou.
PF apreendeu dinheiro e relógios de luxo
A operação foi deflagrada em 18 de junho e
resultou na apreensão de 13 relógios de luxo e de
aproximadamente R$ 479 mil em espécie, entre dólares, euros e
reais, localizados em um hotel em Brasília e no apartamento de Jaques Wagner,
em Salvador.
Segundo análise preliminar da Polícia Federal, parte
dos relógios apreendidos pertence a marcas como Patek Philippe, Cartier e Hublot,
cujos modelos podem alcançar valores elevados no mercado.
A defesa do senador informou que entre os itens
recolhidos existem relógios originais e réplicas, mas não detalhou quais seriam
as peças autênticas.
Pedido de audiência levantou suspeita de
vazamento
Os documentos também revelam que um pedido de
audiência apresentado por Jaques Wagner ao ministro André Mendonça, no mesmo
dia em que a Polícia Federal encaminhou ao STF o pedido de autorização para a
operação, despertou preocupação entre os investigadores.
Na decisão que autorizou a busca e apreensão,
Mendonça cita o episódio como um fator que aumentou o risco de vazamento de
informações sigilosas.
Ainda segundo a reportagem de O Globo,
imagens registraram Jaques Wagner conversando reservadamente com o diretor-geral
da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, durante um evento no Palácio
do Planalto, em 9 de junho. A operação foi realizada nove dias
depois.
Investigações incluem apartamento de
luxo
As investigações da Polícia Federal também apuram
negociações relacionadas à compra de um apartamento de alto padrão, avaliado
em R$ 2,5 milhões, em Salvador.
Segundo a investigação, mensagens e documentos
indicariam que as tratativas envolvendo o imóvel continuaram mesmo após a
primeira fase da Operação Compliance Zero, que levou à prisão do
banqueiro Daniel Vorcaro, em novembro de 2025.
Os investigadores suspeitam que estruturas ligadas
ao Banco Master tenham sido utilizadas para ocultar a origem da aquisição do
imóvel.
Na última sexta-feira (31), em entrevista à Rádio
Baiana FM, o senador afirmou confiar no andamento das investigações e disse
acreditar que conseguirá demonstrar sua inocência.
“A Polícia Federal que faça o seu
trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público, o Ministério Público
avalie e o magistrado vai julgar. (…) Eu sei o que eu fiz e estou tranquilo“,
declarou.