A relação comercial da Prefeitura de Pau dos Ferros,
administrada por Marianna Almeida, com a Dismed ganhou destaque depois que a
empresa passou ao centro da Operação Mederi, investigação da Polícia Federal
sobre suspeitas de irregularidades em contratos públicos na área da saúde. A
mesma empresa aparece nas apurações relacionadas à gestão do ex-prefeito de
Mossoró e atual candidato ao Governo do RN, Allyson Bezerra (União), tema
amplamente debatido durante o primeiro turno.
As investigações avançaram sobre contratos e
licitações em outros municípios do Oeste. Gravações obtidas pela PF e anexadas
ao inquérito fazem referências a Pau dos Ferros e Apodi, inclusive em conversas
sobre contratos e supostas comissões. Isso, por si só, não significa que
Marianna Almeida tenha sido apontada pessoalmente como participante de
irregularidades.
Agora, pagamentos da Prefeitura de Pau dos Ferros às
empresas Dismed e RDF levantam novos questionamentos. Segundo os dados do
Portal da Transparência apresentados no levantamento, em 2024 foram pagos R$
1.010.212,64 às duas empresas, entre fevereiro e dezembro. Desse total, R$
605.215,56 teriam sido desembolsados somente entre julho e setembro, período
que coincidiu com a campanha das eleições municipais.
Os valores apresentados indicam pagamentos
superiores a R$ 131 mil em julho, R$ 208 mil em agosto e R$ 265 mil em
setembro. A concentração desses desembolsos durante o período eleitoral é um
dado que pode ser esclarecido pela administração municipal quanto à execução
dos contratos, fornecimentos realizados e cronograma dos pagamentos.
O caso Dismed já havia chegado a Pau dos Ferros nas
apurações divulgadas sobre a Operação Mederi. Reportagens baseadas em
documentos da investigação registraram contratos da empresa com o município e
referências à cidade em material reunido pela Polícia Federal.
A Prefeitura de Pau dos Ferros já sustentou que a
gestão não está sendo investigada, enquanto outras administrações citadas no
contexto da operação também negaram irregularidades.
Portanto, os pagamentos podem ser objeto de
questionamento e fiscalização, mas não permitem, isoladamente, concluir que
Marianna Almeida tenha participado do suposto esquema investigado pela Polícia
Federal.

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