A campanha do presidente Lula (PT) apontou que a
grande sacada do petista no debate da Band, no domingo (18/10), foi propor ao
senador Flávio Bolsonaro (PL) o desafio de abrir seus sigilos bancário e
telefônico.
De acordo com o colunista Igor Gadelha, do
Metrópoles, Lula lançou o desafio porque sabe que, apesar de criativa, a
proposta não teria tanto impacto para ele. Primeiro, pelo óbvio: o atual
presidente da República é conhecido nos círculos políticos por sua aversão a
celulares.
O petista não tem um aparelho pessoal nem WhatsApp,
e só começou a fazer selfies com celular na campanha eleitoral após terminar o
primeiro turno numericamente atrás do candidato do PL ao Palácio do Planalto.
Quando precisa acionar uma autoridade, Lula usa o
aparelho de seus auxiliares, como fazia com Marco Aurélio Santana, o Marcola,
ex-chefe de gabinete da Presidência, que não está incluído no desafio de Lula a
Flávio.
Inócuo também é achar que a conta bancária do
presidente da República revelará algum ilícito. Longe de acusar o presidente,
mas qualquer deputado do baixo clero sabe que não se recebe propina em conta
pessoal.
A ideia de que o acesso às contas pessoais revelaria
alguma coisa é tão absurda quanto achar que um candidato declararia dinheiro
irregular na prestação de contas à Justiça Eleitoral.
Uma movimentação bancária suspeita de uma pessoa
politicamente exposta como Lula e seus familiares seria facilmente identificada
por órgãos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O próprio sigilo bancário de Fábio Luís da Silva, o
Lulinha, caiu nas mãos da CPMI do INSS e acabou vazando para a imprensa, sem
grandes revelações, como destacou na época o advogado Marco Aurélio de
Carvalho.
Mesmo sem grandes novidades em sua conta bancária,
Lulinha acabou virando alvo de vários inquéritos no STF por sua relação
suspeita com a lobista Roberta Luchsinger, a quem Lula chama de “picareta” e
diz não ter conhecido.
Lula deveria abrir sigilos de suas
visitas
E é justamente aqui que Lula deveria ser
transparente. Enquanto promete abrir o sigilo de seu inexistente celular e de
sua conta bancária, mantém fechados registros que, aí sim, poderiam ajudar a
comprovar sua idoneidade.
Lula poderia, por exemplo, abrir a lista de
visitantes do Palácio da Alvorada ao longo de seu mandato para provar que
Luchsinger e outras personalidades, como Daniel Vorcaro, não eram assíduos na
residência presidencial.
Também poderia abrir as listas de passageiros que
embarcam com ele nos voos da Força Aérea Brasileira (FAB). Afinal, o eleitorado
poderia saber quem teve acesso ao mandatário durante as horas de voo em
viagens.
O desafio muito mais interessante, portanto, seria
Lula cumprir a promessa feita em 2022, quando disse que acabaria com os sigilos
de 100 anos impostos pelo governo Bolsonaro e daria mais transparência às suas
atividades.
Igor Gadelha/Metrópoles

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