A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte
(Femurn) estima um impacto anual de R$ 811 milhões para os cofres municipais do
estado com o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1. Desse total, cerca de
80% a 90% devem corresponder ao aumento dos custos com terceirizações, enquanto
o restante está relacionado a contratações diretas. De acordo com o presidente
da federação, José Augusto, os números são uma estimativa inicial baseada no
cenário nacional, mas o impacto real nos municípios do estado ainda está sendo
avaliado, sem data prevista para a conclusão.
Esse levantamento da Confederação Nacional dos
Municípios (CNM) mostra que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40
horas semanais, aprovada pelo Senado, deve gerar um impacto anual de R$ 6,6
bilhões para as cidades de todo o país. Desse total, R$ 5,1 bilhões
correspondem a custos com terceirizações e R$ 1,5 bilhão a contratações
diretas.
O estudo intitulado “Um retrato da terceirização de
mão de obra nos Municípios e os custos de redução de jornada”, não apresenta
estimativas de impacto por estado, mas traça um panorama da necessidade de
contratação de mão de obra terceirizada pelas administrações municipais. No Rio
Grande do Norte, 59 cidades informaram ter contratos de prestação de serviços,
o que corresponde a 88% dos municípios contemplados pela pesquisa. Desse total,
23 informaram ter mais de 100 postos de trabalho terceirizados ativos.
Segundo José Augusto, os municípios de maior porte
serão mais afetados por concentrarem um número maior de contratos
terceirizados. “Vamos ter um aumento das despesas com pessoal, principalmente
em relação aos terceirizados, que em sua maioria são ligados à serviços
essenciais como, por exemplo, saúde, vigilância, educação e manutenção.”
O presidente afirma que a área técnica da Femurn foi
acionada para iniciar o levantamento junto às prefeituras do estado para
apontar um dado mais real sobre o impacto. “Nós temos a nossa parte técnica
envolvida, também, com outros levantamentos, mas o mais rápido possível vamos
passar para os municípios a real realidade do impacto referente ao fim da
escala 6x1”, observa.
Entre outros pontos, esse estudo inclui a análise
das folhas de pagamento das prefeituras, os gastos com pessoal e os valores
destinados às terceirizações. Com o documento finalizado, José Augusto afirma
que a Femurn deverá se reunir com a CNM para definir medidas que permitam aos
municípios absorver os custos adicionais.
Ele acrescenta que a Confederação deverá coordenar
uma mobilização municipalista em todo o país para defender pautas prioritárias
que já tramitam no Congresso Nacional, como a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 25/2022, que propõe o aumento de 1,5 ponto percentual no repasse de
recursos da União ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Questionado sobre a capacidade de os municípios de
maior porte absorverem o aumento dos custos, ele afirma que o levantamento
também deverá esclarecer esse cenário. “Isso passa pela consulta junto a todos
municípios, pedindo a posição de cada um e seu comprometimento com a
terceirização”, destaca.
Na avaliação do economista Helder Cavalcanti, a
projeção de impacto de R$ 811 milhões para os cofres municipais exigirá
planejamento fiscal, revisão de contratos e reorganização dos serviços pelas
prefeituras. Em relação às terceirizações, ele defende que a prioridade deve
ser examinar as planilhas de custos das empresas contratadas e distinguir os
efeitos efetivos da mudança de eventuais ineficiências já existentes nos
contratos.
No orçamento, o especialista avalia que as
prefeituras precisarão reduzir desperdícios, rever despesas administrativas e
melhorar a arrecadação por meio da atualização cadastral e do combate à
sonegação. “Também será fundamental uma articulação da Femurn com os governos
estadual e federal para discutir mecanismos de transição e apoio aos municípios
com menor capacidade financeira”, completa.
Helder Cavalcanti aponta que, no aspecto humano, o maior tempo de descanso pode
favorecer a saúde, a atenção e a qualidade do trabalho. “Esses possíveis ganhos
precisam ser acompanhados por indicadores de faltas, afastamentos e qualidade
do atendimento, sem presumir que compensarão integralmente as novas despesas”,
destaca.
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE procurou a CNM para
obter os dados consolidados do Rio Grande do Norte referentes ao estudo
nacional, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. Também foram
consultadas três prefeituras do estado sobre uma estimativa do impacto da
medida em seus orçamentos, mas não houve retorno.

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