quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Forte dos Reis Magos tem problemas de estrutura e Justiça determina plano

 


A Justiça Federal determinou que a Fundação José Augusto (FJA) apresente um plano de manutenção do Forte dos Reis Magos, em Natal, e adote medidas para corrigir problemas de segurança e conservação do monumento. A decisão estabelece prazos de 60 a 120 dias para o cumprimento das determinações e prevê aplicação de multa em caso de descumprimento.

Segundo o juiz federal Hallison Rego Bezerra, a diferença entre os prazos considera a complexidade e a urgência de cada providência.

Entre as irregularidades, estão fiação exposta, canaletas elétricas desprendidas, pontos de iluminação sem funcionamento e luzes de emergência inoperantes. No pátio interno, um refletor aparentava estar sustentado pela própria fiação, com risco de queda e acidente elétrico.

O documento também aponta extintores com sinais acentuados de oxidação, sendo um deles visivelmente danificado, além de pintura desgastada, componentes metálicos corroídos e instalações elétricas aparentemente improvisadas em áreas internas.

Nos banheiros, foram identificadas torneiras danificadas, vazamentos nos mictórios, falta de iluminação, portas de cabines sem puxadores e um vaso sanitário infantil fora de funcionamento. No refeitório dos funcionários, havia fiação exposta, infiltração e mofo nas paredes.

Em relação à acessibilidade, o equipamento de transporte vertical apresentava problemas de funcionamento, ausência de iluminação e sinais de corrosão.

O magistrado afirmou que o descumprimento das determinações pode resultar em multa e outras medidas para garantir a execução das obrigações. “O que eventualmente pode acontecer é aplicação de multa e sequestro do valor para cumprimento, ou até determinação de aumento de multa”, declarou.

A fiscalização das medidas ficará sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O órgão terá 30 dias para analisar os planos apresentados pela FJA e também deverá acompanhar o andamento das intervenções. Hallison esclareceu que cabe à fundação elaborar os documentos, enquanto o instituto será responsável pela análise e fiscalização.

A decisão busca garantir a manutenção do patrimônio histórico diante do agravamento dos problemas identificados no Forte. Para Hallison, o acionamento da Justiça ocorreu após o Ministério Público Federal (MPF) avaliar que a FJA não estava cumprindo seu dever de conservação. “A Justiça é o último recurso que se deve utilizar depois de realmente não se conseguir outro tipo de solução”, disse.

O juiz acrescentou que a medida representa uma tentativa de evitar novos danos ao monumento. “É mais uma tentativa, eu acho, de realmente tentar fazer com que o patrimônio não seja destruído”, declarou.

Vindo de Pernambuco, Jorge Andrade considera que a estrutura do Forte dos Reis Magos poderia ser mais bem preservada. “É um passeio bem legal, mas reparei que a pintura não está tão boa, uma pintada já melhorava”, afirmou.

Natural do Amapá, Carla Câmara apontou problemas na limpeza dos banheiros do Forte dos Reis Magos. “O lugar é bom, mas o banheiro achei sujo, esquisito, como se não usassem muito”, relatou.

Natural da Paraíba, Juliana Nascimento destacou a oportunidade de conhecer a história do Rio Grande do Norte durante a visita ao Forte dos Reis Magos. “Eu gostei bastante, a gente aprende sobre como começou, porque eu sou de João Pessoa. Está bem preservado, e cada espaço tem um quadro explicando um pouquinho da história”, disse.

A reportagem procurou a Fundação José Augusto e o Iphan para obter posicionamentos sobre a decisão judicial e as providências previstas, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.

 

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