O baixo desempenho da senadora Soraya Thronicke
(PSB-MS) nas pesquisas eleitorais para a disputa ao Senado no Mato Grosso do
Sul tem sido associado, por analistas e adversários políticos, ao desgaste
provocado pela denúncia de estupro de vulnerável que ela e o deputado Lindbergh
Farias (PT-RJ) fizeram contra Alfredo Gaspar (PL-AL), sem apresentar provas do
caso.
Levantamento do instituto Real Time Big Data,
divulgado em 6 de agosto e replicado pela Gazeta do Povo, mostra Soraya com
apenas 10% das intenções de voto no cenário estimulado para o Senado, na
terceira colocação — atrás de Reinaldo Azambuja (PL) e tecnicamente empatada na
disputa pela segunda vaga com Capitão Contar (PL) e Nelsinho Trad (PSD). O
número representa estagnação em relação a pesquisas anteriores do mesmo
instituto, realizadas antes do agravamento da crise em torno do caso Gaspar.
A denúncia, protocolada por Soraya e Lindbergh na
Polícia Federal em março, durante a sessão final da CPMI do INSS, acusava o
relator da comissão de estupro de vulnerável e tentativa de suborno. Segundo
reportagens da época, o documento apresentado pelos parlamentares não trazia
provas — apenas relatos e mensagens sem comprovação de autoria. Gaspar negou
terminantemente as acusações, afirmando que o caso citado envolvia um primo
seu, e chamou a denúncia de "falsa, leviana e absolutamente
irresponsável", classificando-a como tentativa de desviar o foco do relatório
da CPI, que propunha o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas Fábio
Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A situação se agravou para Soraya nas últimas
semanas. O ministro do STF Gilmar Mendes determinou, em 6 de agosto, que a
senadora preste mais informações à Corte sobre a denúncia, dando a ela 15 dias
para fornecer elementos que ajudem a identificar autores de mensagens citadas
nos autos e dados sobre ligações telefônicas — um sinal de que a Justiça também
vê fragilidade probatória no caso. Em nota, a campanha de Flávio Bolsonaro,
presidenciável do PL, cobrou investigação célere para comprovar que houve
falsas denúncias e afirmou que Soraya e Lindbergh fizeram a acusação sem
apresentar qualquer prova, indício mínimo e nem sequer existência de vítima.
Para adversários políticos da senadora, o episódio
gerou o que se descreve como uma queimação de imagem: ao protagonizar uma
denúncia grave sem sustentação e posteriormente ser cobrada pelo próprio STF a
comprovar o que alegou, Soraya teria perdido capital político em um momento
crucial da pré-campanha, o que ajudaria a explicar sua estagnação nas
pesquisas, mesmo concorrendo à reeleição.
Metodologia: 1.600 entrevistados pelo Real Time Big
Data 1º a 5 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto.
Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE
sob o nº MS-07706/2026.

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