O deputado André Janones (Avante-MG) deixou claro,
em publicação nas redes sociais, que a campanha de reeleição de Lula terá tom
agressivo e sem limites até as eleições de outubro. Na declaração, o
parlamentar afirma ter avisado "pessoalmente" ao presidente que está
disposto a ir aos extremos para combater a oposição.
"Aceitei a missão mais uma vez! Hoje à tarde
avisei ao Presidente, pessoalmente, que tô disposto matar ou morrer pra livrar
nosso país da extrema direita de uma vez por todas", escreveu Janones.
Na sequência, o deputado deixou o recado mais
direto: "Tirem as crianças da sala porque o jogo agora é de gente grande e
eu, assim como a 4 anos atrás, FAREI O QUE PRECISA SER FEITO! Sem medo, sem
pudor e sem remorso! CAMPANHA 'FOFA' É O CARALHO! VAI COMEÇAR! É GUERRA!"
A publicação confirma o que Janones já vinha
sinalizando nas últimas semanas. Em evento do PT para lançar o programa
"Porta-Vozes do Lula", em junho, o deputado havia admitido sem
constrangimento o "baixo nível" da estratégia de comunicação digital
adotada pelo partido: "Eu estou me lixando de falar que é de baixo nível.
Eu sei o que está em jogo, o que está em jogo é a democracia do nosso país. [.]
Hoje, vale tudo para salvar a democracia."
Mais recentemente, em agosto, o parlamentar já havia
cobrado publicamente da militância petista uma postura mais combativa nas
redes, criticando o que chamou de campanha "fofa" da esquerda diante
do avanço digital da direita. "Temos tempo pra acertar os ponteiros e
jogar como gente grande, sem nojinho e sem frescura, FAZER O QUE TEM QUE SER
FEITO pra ganhar", escreveu na ocasião.
A nova declaração, no entanto, eleva o tom a um
nível inédito na pré-campanha. Ao classificar o embate político como
"guerra" e dizer estar disposto a "matar ou morrer",
Janones abandona qualquer verniz de moderação e assume publicamente que a
estratégia petista para as eleições passará por um confronto direto e sem
concessões com o campo bolsonarista — repetindo, segundo o próprio deputado, o
mesmo roteiro utilizado na campanha de 2022, quando ele próprio reconheceu ter
recorrido à criação de narrativas para atacar adversários.
A fala reforça a percepção, já compartilhada por
aliados e opositores, de que a disputa presidencial de 2026 deve ser marcada
por um enfrentamento digital ainda mais raso e agressivo do que o observado no
pleito anterior — com o aval, segundo Janones, do próprio presidente Lula.
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