A cúpula da campanha de Lula ficou irritada com
Lindbergh Farias (PT-RJ) depois que o deputado, mesmo sem provas concretas
contra Alfredo Gaspar (PL-AL), começou a recuar da acusação de estupro de
vulnerável feita contra o vice na chapa de Flávio Bolsonaro. A informação é da
coluna de Caio Junqueira, na CNN Brasil.
Segundo o colunista, petistas criticaram
internamente a iniciativa de Lindbergh de procurar o PL — por meio do deputado
Sóstenes Cavalcante — para tratar do caso. O incômodo aumentou depois que o
deputado chegou a redigir uma nota dizendo que apenas recebeu a denúncia e a
repassou às autoridades, num movimento visto como um recuo em relação à
acusação original.
A avaliação na campanha é que Lindbergh errou ao
amenizar o tom sem qualquer comprovação da inocência de Gaspar. Para o entorno
de Lula, o caso ainda está em apuração e a denúncia pode ser verdadeira — mas o
recuo do deputado, sem provas que sustentassem ou refutassem a acusação,
fragilizou politicamente a posição do PT e abriu espaço para o adversário
explorar o episódio.
Por isso, integrantes da campanha procuraram
Lindbergh ao longo de uma quinta-feira para "passar o recado" da
insatisfação. A orientação petista, segundo a reportagem, é que o deputado não
trate mais publicamente do assunto — evitando qualquer nova nota que possa ser
interpretada como retratação.
Do lado do PL, a leitura é oposta: o partido
acredita que o PT quer manter o caso "no ar" para uso eleitoral,
apesar de, segundo os aliados de Gaspar, Lindbergh estar buscando uma espécie
de acordo de retratação para se blindar de processos por injúria, calúnia e
denunciação caluniosa — algo que o próprio deputado nega.

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