Sete páginas no Facebook e Instagram, com menos de
400 seguidores cada e sem identificação dos responsáveis, investiram mais de R$
1,1 milhão em apenas dois meses para impulsionar conteúdos contra o senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e o governador de São
Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Com nomes como Radar do Planalto, Dossier
Brasil 24h e O Contra-Fluxo, as páginas movimentaram
centenas de milhares de reais em anúncios, apesar da baixa quantidade de
seguidores. Elas compartilhavam registros semelhantes na Meta, sites criados em
sequência e contatos com DDD 41, do Paraná, indicando possível ligação entre os
perfis.
Três páginas criadas em maio saíram do ar após
impulsionarem mais de mil publicações. Em junho, outras quatro perfis
semelhantes assumiram a campanha e já gastaram R$ 247 mil, sendo R$ 135 mil
apenas entre os dias 17 e 23 de junho — segundo maior volume de impulsionamento
no período, atrás apenas do governo federal.
Anúncios driblavam algoritmo da Meta
Levantamento feito elo jornal ‘O Globo’ aponta
que as páginas adotaram estratégias semelhantes para driblar os algoritmos da
Meta, distribuindo os recursos em centenas de pequenos anúncios e usando
legendas genéricas para dificultar a identificação de conteúdo político.
Os anúncios atacavam principalmente Flávio
Bolsonaro, utilizando vídeos com acusações baseadas em reportagens
jornalísticas e grande alcance nas redes. Após serem retiradas do ar, novas
páginas com o mesmo padrão passaram a divulgar conteúdos contra Flávio,
Tarcísio e outros nomes da direita, além de impulsionar conteúdos favoráveis ao
presidente Lula e ao ex-ministro Fernando Haddad (PT).
O que diz a Meta
A Meta informou que aplica regras para anúncios
políticos, promove transparência e colabora com o Tribunal Superior Eleitoral
(TSE). Especialistas afirmam que esse tipo de estratégia pode desequilibrar o
debate público, dificultar a identificação dos responsáveis e ampliar o alcance
de conteúdos potencialmente enganosos, ainda que não configure propaganda
eleitoral antecipada.
Perfis com impulsionamento
Todas as páginas usaram as mesmas táticas para driblar
as restrições dos algoritmos, como legendas neutras, e pulverizaram a
distribuição de recursos.
1. Radar do Planalto
- Enviou
informações para a Meta: 22 de abril
- Primeira
publicação impulsionada: 25 de abril a 7 de maio
- Última
publicação impulsionada: 3 de junho a 4 de junho
- Gasto
total: 373,8 mil
2. Dossier Brasil 24h
- Enviou
informações para a Meta: 22 de abril
- Primeira
publicação impulsionada: 25 de abril a 8 de maio
- Última
publicação impulsionada: 2 de junho a 11 de junho
- Gasto
total: 296,5 mil
3. O Contra-Fluxo
- Enviou
informações para a Meta: 23 de abril
- Primeira
publicação impulsionada: 25 de abril a 30 de abril
- Última
publicação impulsionada: 1 de junho a 4 de junho
- Gasto
total: 220,1 mil
4. Panorama Brasil
- Enviou
informações para a Meta: 3 de junho
- Primeira
publicação impulsionada: 10 de junho a 13 de junho
- Última
publicação impulsionada: 18 de junho
- Gasto
total: 78,3 mil
5. Olho no Erro
- Enviou
informações para a Meta: 8 de junho
- Primeira
publicação impulsionada: 10 de junho a 14 de junho
- Última
publicação impulsionada: 25 de junho (Ativa)
- Gasto
total: 65,9 mil
6. Contra a Maré
- Enviou
informações para a Meta: 8 de junho
- Primeira
publicação impulsionada: 9 de junho a 14 de junho
- Última
publicação impulsionada: 25 de junho (Ativa)
- Gasto
total: 54,1 mil
7. Lente Escura
- Enviou
informações para a Meta: 8 de junho
- Primeira
publicação impulsionada: 11 de junho a 15 de junho
- Última
publicação impulsionada: 26 de junho (Ativa)
- Gasto
total: 48,9 mil

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