segunda-feira, 8 de junho de 2026

Inflação vira tempestade perfeita e mercado já duvida que Banco Central de Galípolo corte os juros

 


O mercado financeiro reduziu as projeções de cortes da Selic e começa a apostar na manutenção da taxa de 14,5% na reunião do Copom da próxima semana. O Boletim Focus desta segunda-feira mostra que a expectativa para o IPCA de 2026 subiu para 5,11%, já acima do teto da meta de 4,50%, e a Selic projetada para o fim do ano avançou para 13,50%.

A combinação é letal: guerra no Oriente Médio disparou o petróleo e, por tabela, os combustíveis. A perspectiva de um super El Niño ameaça as safras agrícolas e pressiona os preços dos alimentos. E o governo, em ano eleitoral, despeja estímulos fiscais que chegam a 2% do PIB, turbinando a demanda quando deveria estar pisando no freio.

O economista José Márcio Camargo, da Genial Investimentos, foi direto: "O Banco Central vai ter de lutar contra o Executivo. Não vai ser simples." BTG Pactual e Bank of America já revisaram seus cenários e preveem no máximo mais um corte. A Selic deveria parar onde está, segundo a maioria dos analistas sérios.

O problema é político. Gabriel Galípolo, indicado por Lula para presidir o BC, enfrenta a prova de fogo da sua gestão. O governo quer juros mais baixos para chegar à eleição com a economia aquecida. O mercado quer responsabilidade. Alguém vai sair perdendo, e o mais provável é que seja o contribuinte brasileiro.

Na véspera da guerra entre EUA e Irã, em fevereiro, o mercado projetava inflação de 3,91%. Três meses depois, a previsão saltou para acima de 5%. É o preço de ter um governo que gasta como se não houvesse amanhã enquanto o mundo pega fogo.

                                     

 

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