O mercado financeiro reduziu as projeções de cortes
da Selic e começa a apostar na manutenção da taxa de 14,5% na reunião do Copom
da próxima semana. O Boletim Focus desta segunda-feira mostra que a expectativa
para o IPCA de 2026 subiu para 5,11%, já acima do teto da meta de 4,50%, e a Selic
projetada para o fim do ano avançou para 13,50%.
A combinação é letal: guerra no Oriente Médio
disparou o petróleo e, por tabela, os combustíveis. A perspectiva de um super
El Niño ameaça as safras agrícolas e pressiona os preços dos alimentos. E o governo,
em ano eleitoral, despeja estímulos fiscais que chegam a 2% do PIB, turbinando
a demanda quando deveria estar pisando no freio.
O economista José Márcio Camargo, da Genial
Investimentos, foi direto: "O Banco Central vai ter de lutar contra o
Executivo. Não vai ser simples." BTG Pactual e Bank of America já
revisaram seus cenários e preveem no máximo mais um corte. A Selic deveria
parar onde está, segundo a maioria dos analistas sérios.
O problema é político. Gabriel Galípolo, indicado
por Lula para presidir o BC, enfrenta a prova de fogo da sua gestão. O governo
quer juros mais baixos para chegar à eleição com a economia aquecida. O mercado
quer responsabilidade. Alguém vai sair perdendo, e o mais provável é que seja o
contribuinte brasileiro.
Na véspera da guerra entre EUA e Irã, em fevereiro,
o mercado projetava inflação de 3,91%. Três meses depois, a previsão saltou
para acima de 5%. É o preço de ter um governo que gasta como se não houvesse
amanhã enquanto o mundo pega fogo.

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