quinta-feira, 11 de junho de 2026

Indústria do RN recua 17,9% e tem pior resultado do Brasil no 1º quadrimestre de 2026

 


A indústria do Rio Grande do Norte registrou queda de 17,9%, o maior recuo do país no acumulado de 2026 até o mês de abril. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira (10). Considerando apenas o mês de abril, a indústria potiguar apresentou recuo de 13,6% na comparação com o mês anterior, também a maior queda registrada no Brasil. As reduções foram puxadas pela atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (óleo diesel), que apresentou retração de 29,9% no acumulado do ano e de 27,8% em abril.

Segundo o IBGE, também tiveram números negativos no quadrimestre a fabricação de produtos alimentícios (-6,2%) e as indústrias extrativistas (-5,6%). Ainda levando em conta os quatro primeiros meses de 2026, além do RN, outros sete estados no País acumulam taxas negativas na produção industrial: Bahia (-4,6%), Maranhão (-4,5%), Ceará (-4,4%), Amazonas (-3,5%), Santa Catarina (-2,8%), Paraná (-1,1%) e São Paulo (-0,4%).

Para o Observatório da Indústria Mais RN, da Fiern, os dados apontam para uma perda de dinamismo do setor na região Nordeste, bem como no cenário nacional. O órgão pondera, no entanto, que não houve queda generalizada no RN.

“Na verdade, o resultado negativo teve como razão, especificamente, o recuo de quase 20%, entre janeiro e abril, do setor de Petróleo e Gás, enquanto os demais apresentaram números próximos do esperado para o início do ano”, disse o observatório por meio de nota.

Para o restante do ano, a Fiern prevê uma recuperação dos saldos negativos, ressalvando que não há como desconsiderar fatores externos ao RN, como o valor da taxa Selic, incertezas envolvendo eleições e mudanças relativas à reforma tributária.

O economista Robespierre do Ó explica que os resultados para o RN já eram esperados em grande medida, com sinalização dos números negativos para o setor de petróleo ao longo dos últimos meses.

“A produção de petróleo do Estado vem registrando sucessivas quedas e atingiu recentemente os menores níveis das últimas décadas. Como o segmento de derivados possui grande participação na estrutura industrial potiguar, qualquer retração mais intensa acaba impactando significativamente o resultado geral da indústria. Além disso, a indústria de alimentos também vem apresentando oscilações e desempenho mais fraco neste início de ano, o que amplia os efeitos negativos sobre a produção industrial”, pontua o especialista.

Em abril, a pesquisa do IBGE voltou a registrar recuo na fabricação de produtos alimentícios (-1,7%). O segmento havia tido variação positiva em março (2,2%), após os dois meses de quedas consecutivas observadas em janeiro (-7,1%) e fevereiro (-17,4). Por outro lado, a confecção de artigos do vestuário e acessórios (56,0%) e as indústrias extrativistas (16,3%) apresentaram crescimento no quarto mês do ano, em relação a abril do ano passado. Já no acumulado de 2026, apenas a confecção de artigos do vestuário e acessórios (41,5%) segue com resultados positivos.

De um modo geral, segundo Robespierre do Ó, a expectativa para os próximos meses é de uma melhora gradual, mas ainda cercada de cautela. “O setor de vestuário continua apresentando forte crescimento e as atividades extrativas têm mostrado sinais positivos em alguns períodos, o que ajuda a reduzir parte das perdas. Entretanto, uma recuperação mais consistente da indústria potiguar dependerá principalmente do desempenho do complexo de petróleo e combustíveis”, diz.

“Como esse segmento possui elevado peso na economia industrial do Estado, dificilmente haverá uma reversão significativa dos números sem uma estabilização da produção de petróleo e do processamento de derivados”, aponta Robespierre.

Para o economista, o principal fator por trás da queda da indústria potiguar é interno, marcado especialmente pela redução da produção local de petróleo e derivados. No entanto, segundo ele, o conflito no Oriente Médio também causa reflexos locais.

“Dependendo da intensidade e duração das tensões geopolíticas, podem ocorrer oscilações no preço do barril, nos custos de transporte e nos fluxos internacionais de energia. Para o RN, por um lado, preços internacionais mais elevados podem aumentar receitas de royalties e melhorar a rentabilidade da atividade petrolífera. Por outro, a instabilidade pode elevar custos produtivos e gerar maior incerteza para investimentos”, avalia.

Variação em 12 meses também é negativa
Em um terceiro recorte temporal, de 12 meses, a indústria do RN também registrou queda, desta vez, de -12,4%. Mais uma vez, a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (-24,2%) e de produtos alimentícios (-1,4%) puxaram a redução. O resultado do RN vai na contramão do Brasil, que registrou alta de 0,7% da produção industrial nacional em abril de 2026 na comparação com o mês anterior.

O referido desempenho foi puxado por dez dos 15 locais pesquisados pelo IBGE, na série com ajuste sazonal. Bahia (3,0%), Ceará (2,3%), Espírito Santo (2,1%) e Minas Gerais (2,1%) mostraram as maiores altas. Santa Catarina (1,7%), Goiás (1,7%), Rio de Janeiro (1,4%), São Paulo (0,9%) e Paraná (0,8%) completaram o conjunto de locais com taxas positivas, no mês.

No comparativo com abril de 2025, a alta no país foi de 2,7%, com destaque para o crescimento da indústria no Espírito Santo (32,9%) e no Rio de Janeiro (10,1%).

No acumulado de 2026, o Brasil teve variação positiva de 1,7%, com avanços de dois dígitos em Espírito Santo (25,3%) e Pernambuco (19,7%).

Tribuna do Norte

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