Por essa, a política nacional (principalmente a
esquerda), não esperava. O PL orientou pela instalação da escala 4x3 no regime
de trabalho brasileiro e que a implementação seja imediata. Assim o líder do
PL, Sóstenes Cavalcante, orientou a votação na comissão especial criada pela
Câmara dos Deputados. Assista:
A fala do parlamentar, inclusive, causou revolta da
esquerda, porque foi vista como uma tentativa de "barrar" o acordo
construído com o Governo. "A gente defende a escala 4x3 porque entende que
o trabalhador precisa e merece descansar, é uma pena que essa tenha sido o
máximo que o relator conseguiu com o Governo (Lula)", ironizou
Sóstenes.
A manobra do PL funcionou como um xeque-mate retórico.
O partido apresentou um destaque de preferência para votar a PEC original de
Erika Hilton antes do texto negociado pelo governo Lula com Hugo Motta, que
prevê a escala 5x2 com jornada de 40 horas. A reação foi imediata: Erika chamou
a movimentação de "manobra" e a base governista se moveu para barrar
o destaque, alegando que o objetivo real era tumultuar e atrasar a votação.
É nesse ponto que Nikolas crava o argumento. Se o
PSOL apresentou o projeto, defendeu a bandeira da escala 4x3 por meses e usou a
pauta como instrumento de mobilização, por que agora rejeita que o próprio
texto seja votado? "Populismo? Estão NUS. Revelamos a verdadeira face do
que vocês queriam: quebrar o país de forma irresponsável e fazer disso palanque
eleitoral", escreveu o deputado.
O episódio expõe uma contradição difícil de explicar
para o eleitor. O mesmo partido que usou a escala 4x3 para acusar a direita de
ser inimiga do trabalhador agora se opõe à votação do próprio projeto. O
governo prefere a versão 5x2, mais moderada, e trabalha para aprovar o texto
sem alterações antes do recesso parlamentar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário