O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) usou as redes
sociais nesta terça-feira (27) para apontar o que classificou como a maior
contradição da esquerda no debate sobre a jornada de trabalho. Após o PL
anunciar que pedirá a votação da PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) — que
propõe a escala 4x3 —, o próprio PSOL se posicionou contra a votação da
proposta de sua parlamentar. "PSOL contra a proposta da escala 4x3? Se é
impossível, porque a deputada do SEU partido fez o projeto?", questionou
Nikolas.
A manobra do PL funcionou como um xeque-mate
retórico. O partido apresentou um destaque de preferência para votar a PEC
original de Erika Hilton antes do texto negociado pelo governo Lula com Hugo
Motta, que prevê a escala 5x2 com jornada de 40 horas. A reação foi imediata:
Erika chamou a movimentação de "manobra" e a base governista se moveu
para barrar o destaque, alegando que o objetivo real era tumultuar e atrasar a
votação.
É nesse ponto que Nikolas crava o argumento. Se o
PSOL apresentou o projeto, defendeu a bandeira da escala 4x3 por meses e usou a
pauta como instrumento de mobilização, por que agora rejeita que o próprio
texto seja votado? "Populismo? Estão NUS. Revelamos a verdadeira face do
que vocês queriam: quebrar o país de forma irresponsável e fazer disso palanque
eleitoral", escreveu o deputado.
O episódio expõe uma contradição difícil de explicar
para o eleitor. O mesmo partido que usou a escala 4x3 para acusar a direita de
ser inimiga do trabalhador agora se opõe à votação do próprio projeto. O
governo prefere a versão 5x2, mais moderada, e trabalha para aprovar o texto
sem alterações antes do recesso parlamentar.
Nikolas encerrou com tom de desafio: "Vamos até
o fim!!! Que o Brasil veja quem quebrou o país." A votação da PEC na
comissão especial foi adiada e deve voltar à pauta nesta quarta-feira (27),
seguindo ao plenário na sequência. Para ser aprovada, a proposta precisa de ao
menos 308 votos em dois turnos.

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