A infiltração de facções criminosas na economia
formal já causa prejuízos estimados em R$ 39 bilhões por ano à indústria
brasileira, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A pesquisa, realizada com 1.398 empresas de 32
segmentos industriais, aponta que 31% das companhias sofreram impactos de
atividades ilícitas nos últimos dois anos, como roubo de cargas, contrabando,
falsificação e sonegação fiscal.
Investigações recentes revelaram a atuação de
organizações criminosas em setores como combustíveis, mercado financeiro,
construção civil, transporte, apostas online, hotelaria, varejo, mineração,
agronegócio e operações portuárias.
O Ministério Público de São Paulo estima que apenas
o PCC movimente até R$ 12 bilhões por ano em atividades econômicas. O alerta
ganhou força após os Estados Unidos classificarem PCC e Comando Vermelho como
organizações terroristas.
Especialistas ouvidos pela reportagem do jornal O
Globo avaliam que a medida pode aumentar exigências de compliance, elevar
custos para empresas brasileiras e ampliar o risco de sanções para negócios com
exposição ao mercado americano.
Para representantes do setor produtivo, o avanço do
crime organizado gera concorrência desleal, reduz a arrecadação de impostos,
afasta investimentos e aumenta os custos de operação para empresas que atuam
dentro da legalidade.
Segundo investigadores, as facções utilizam
empresas, fintechs, fundos de investimento e empreendimentos formais para lavar
dinheiro e ampliar receitas, diversificando suas fontes de lucro além do
tráfico de drogas.

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