quinta-feira, 16 de abril de 2026

Piada pronta: Advogado preso pela PF em esquema Master-BRB foi homenageado pelo PT

 


Preso hoje pela Polícia Federal, o advogado Daniel Lopes Monteiro é apontado como “operador técnico e estrutural da engrenagem criminosa” que viabilizou o pagamento de quase R$ 150 milhões em propina de Daniel Vorcaro a Paulo Henrique Costa. Segundo os investigadores, o advogado atuou na “formalização das operações entre Master, Tirreno e BRB e na ocultação do beneficiário real das aquisições imobiliárias”.

A PF aponta que ele e sua equipe passaram a operar estrutura societária, financeira e documental por meio da qual os imóveis eram adquiridos sem vinculação formal ao verdadeiro beneficiário. Numa troca de mensagens com Vorcaro, Monteiro diz que “o Paulo me procurou para dar andamento em estrutura de compra de imóveis para ele”.

“Disse que vc pediu para ele falar comigo a respeito. Devo dar andamento?”, pergunta. O banqueiro, então, responde inquieto. “Eu pedi isso anteontem. Para dar foco nisso. Achei que estava resolvido.” Ao que o advogado esclarece: “Ele só me contou agora cedo. Vou pedir os dados dos imóveis e ele e faço hoje mesmo.”

Outras mensagens dão conta do avanço das tratativas, com Monteiro questionando Vorcaro sobre quem seria a pessoa que figuraria como diretor das empresas de fachada, “para não misturar com o restante das estruturas que temos”. “A documentação está pronta. Só falta confirmar imóveis e valores (…) definirmos quem será o diretor das sociedades que comprarão os imóveis (…) Descer o dinheiro do Astrato para o fundo dono das sociedades que comprarão os imóveis.”

Segundo a PF, Monteiro colocou como laranja Hamilton Edward Suaki, seu cunhado, tendo como endereço registrado a mesma localização do seu escritório Monteiro Rusu Advogados. “Em juízo sumário, esse arranjo afasta a aparência de atuação jurídica meramente consultiva e revela domínio prático sobre os mecanismos de ocultação da titularidade e da origem dos valores”, escreve André Mendonça, em sua decisão.

O ministro ressalta ainda que, de acordo com a apuração da PF, o Monteiro Rusu funcionou como uma espécie de ‘compliance paralelo’ do Banco Master, fora dos fluxos internos ordinários de controle, inclusive no tocante às operações da Tirreno, que originaram as carteiras de CDBs fajutas adquiridas pelo BRB.

“Os dados extraídos de aparelhos apreendidos indicariam que DANIEL MONTEIRO participou da elaboração, revisão e ajuste de instrumentos contratuais, declarações, notificações e contranotificações ligadas à Tirreno e às cessões de carteira, inclusive documentos posteriormente associados pelo Banco Central a indícios de fraude. A Polícia Federal menciona, ainda, a participação do escritório na substituição das carteiras da Tirreno e a existência de documento apreendido na residência de VORCARO indicando repasses financeiros destinados a DANIEL MONTEIRO por ações relativas ao BRB.”

Para Mendonça, a individualização da conduta de Monteiro evidencia o exercício de funções indispensáveis à sobrevivência do esquema: dar aparência de juridicidade às operações espúrias, construir a malha societária de interposição, operacionalizar fluxos entre fundos e empresas-veículos, administrar a ocultação registral dos bens e manter sob guarda documentação sensível”.

Claudio Dantas

 

 

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