sexta-feira, 20 de março de 2026

Combustíveis pressionam inflação e setor produtivo defende corte de impostos

 


O avanço dos preços dos combustíveis, especialmente do diesel, tem intensificado a pressão sobre a inflação e mobilizado representantes do setor produtivo em defesa de medidas tributárias emergenciais. Entre as propostas com maior adesão está o apoio à iniciativa do governo federal de zerar a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel, com compensação aos Estados por outras fontes de receita, além da manutenção da isenção de PIS/Cofins.

A avaliação é que, sem essas medidas, haverá um efeito em cadeia sobre preços, dado que cerca de 65% das mercadorias no Brasil são transportadas por caminhões movidos a diesel. A preocupação se estende ao risco de paralisações no transporte rodoviário. Segundo o presidente da Federação de Agricultura, Pecuária e Pesca (Faern), José Vieira, o custo do combustível já atingiu um patamar considerado “insuportável” para o setor produtivo e para a sociedade.

Ele afirma que o diesel impacta diretamente todas as etapas da produção, do preparo do solo à colheita, além da distribuição. “Esse aumento de combustível nas bombas está insuportável e impacta diretamente na economia. Vai gerar inflação em tudo”, afirmou. Como medida paliativa, representantes do setor também defendem o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, dos atuais 15% para 17%.

A proposta, segundo Vieira, poderia amenizar parcialmente os custos, embora não resolva o problema estrutural dos preços. “Ajuda um pouco, mas o impacto ainda não chegou”, disse. Ele também reforça a necessidade de uma atuação coordenada entre União e Estados na redução da carga tributária.

A manutenção da isenção de PIS/Cofins sobre o diesel é apontada como uma das medidas de maior efeito imediato. De acordo com estimativas do setor, a redução desses tributos pode representar uma queda de aproximadamente R$ 0,32 por litro do combustível. Todo óleo diesel consumido no Rio Grnde do Norte é importado. Ainda assim, empresários avaliam que a medida isolada é insuficiente diante da escalada de preços e defendem maior participação dos Estados na redução do ICMS.

O cenário internacional também agrava as perspectivas. A desorganização da cadeia global de combustíveis, intensificada por conflitos geopolíticos, deve prolongar os efeitos sobre os preços mesmo em caso de cessar-fogo no curto prazo. “Mesmo que a guerra acabe hoje, até o fim de abril ainda vamos sentir os impactos, porque houve ruptura na logística mundial”, afirmou Vieira.

No médio prazo, alternativas energéticas como eletrificação de frotas e uso de etanol em veículos pesados aparecem como tendência, mas ainda com limitações. Embora existam iniciativas no agronegócio com uso de combustíveis renováveis, a adoção em larga escala de máquinas agrícolas elétricas ainda é considerada incipiente. A expectativa é que a transição comece pelo transporte rodoviário, com caminhões elétricos ganhando espaço antes de alcançar o maquinário no campo.

Enquanto isso, o debate sobre tributação segue no centro das atenções, com o setor produtivo defendendo ações imediatas para conter a inflação e evitar impactos mais amplos sobre consumo, emprego e atividade econômica.

 

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