A CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos)
manteve um informante dentro do governo da Venezuela que monitorou a
localização do presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) nos momentos
anteriores à sua captura por forças especiais norte-americanas. A informação
foi publicada pelo jornal New York Times. Play Video.
A agência produziu a principal inteligência usada
pelos militares dos EUA. A localização de Maduro foi acompanhada por meio de
drones, que fizeram vigilância quase contínua do território venezuelano. O
trabalho também contou com dados fornecidos por informantes locais.
O NYT afirmou que a CIA tinha oficiais operando
clandestinamente na Venezuela desde agosto. Eles mapeavam o chamado “padrão de
vida” de Maduro –rotina, deslocamentos e hábitos.
Não há confirmação pública sobre como o informante
venezuelano foi recrutado. Ex-autoridades disseram ao jornal que o processo
pode ter sido facilitado pela recompensa de US$ 50 milhões oferecida pelo
governo dos EUA por informações que levassem à captura do líder venezuelano.
OPERAÇÕES APROVADAS
O diretor da CIA, John Ratcliffe, havia defendido em
sabatina no Senado que a agência adotasse atitudes mais agressivas. O
presidente Donald Trump (Partido Republicano) autorizou ações mais ofensivas no
fim de 2025 e aprovou o planejamento de operações na Venezuela em novembro.
No fim de dezembro, um drone armado da CIA atacou um
píer que, segundo autoridades americanas, era usado para embarque de drogas.
Uma das fontes ouvidas pelo jornal disse que a
captura foi resultado de “meses de planejamento meticuloso” e ocorreu em
estreita coordenação entre a CIA e militares de o perações especiais. Um alto funcionário
declarou que Maduro estava “precisamente localizado” desde o início do plano.
Embora a agência de inteligência tenha desempenhado
papel central no planejamento, o NYT afirma que a operação foi classificada
como missão de aplicação da lei conduzida por forças especiais, e não como ação
direta da CIA.
O ATAQUE
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido
Republicano), anunciou neste sábado (3.jan.2026), em seu perfil na rede Truth
Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou
o presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e a primeira-dama Cilia Flores.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto
das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da
6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada deste sábado
(3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios,
que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea
venezuelanos.
Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas
para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de
duas horas e 20 minutos.
Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em
outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das
Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.
Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis
dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos
EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível
comunicar os congressistas com antecedência.
É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a
publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado
números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.
Um oficial norte-americano disse que não houve baixas
entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.
COMANDO DO PAÍS
No início da tarde deste sábado (3.jan.2026), Trump
afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a
administração do país até que uma transição política fosse definida. Não
detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração
e a venda do petróleo venezuelano.
Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser
exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou
com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas
pelos EUA.
Sobre a líder oposicionista María Corina Machado,
vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria
apoio político suficiente para governar a Venezuela.
Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde deste
sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação
dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua
sendo o presidente legítimo do país.
A vice também declarou que a Venezuela está aberta a
uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito
internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de
nenhum outro país”, disse.
Poder 360


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