sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Intoxicação por ciguatera é investigada no RN após quatro casos suspeitos em Touros

 


A Secretaria Estadual da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) investiga quatro casos suspeitos de intoxicação por ciguatera registrados no município de Touros, no litoral Norte do estado. As ocorrências teriam sido registradas no dia 7 de janeiro, após o consumo de peixe. Amostras já foram coletadas e encaminhadas para análise laboratorial.

De acordo com a Sesap, os casos seguem sendo tratados como suspeitos, sem confirmação oficial até o momento. Ainda não há informações conclusivas sobre a espécie de peixe consumida, nem se a ingestão ocorreu em restaurantes ou residências.

Alerta ganhou repercussão nas redes sociais

A investigação ganhou repercussão após a circulação de mensagens em redes sociais e aplicativos, que alertavam para um possível surto de ciguatera no estado. As publicações citavam espécies como bicuda, cavala e arabaiana como possíveis fontes de contaminação.

Apesar disso, a Sesap reforça que não há confirmação de surto e orienta a população a aguardar o resultado das análises antes de tirar conclusões.

Casos anteriores acenderam alerta no estado

A apuração em Touros ocorre meses após um episódio semelhante registrado em maio do ano passado, quando duas médicas foram internadas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após consumirem peixe em um restaurante de Natal.

Na ocasião, o Departamento de Vigilância em Saúde (DVS), por meio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) e da Vigilância Sanitária de Natal (Visa Natal), iniciou investigação com acompanhamento da Sesap. As amostras foram analisadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública do RN (Lacen-RN).

Após o episódio, a Sesap chegou a publicar nota informativa orientando profissionais de saúde a ficarem atentos a intoxicações exógenas associadas ao consumo de pescados contaminados por toxinas naturais, incluindo a ciguatera.

Segundo a secretaria, embora a magnitude da doença no Brasil seja pouco conhecida, há registros em estados como Pernambuco, especialmente no arquipélago de Fernando de Noronha, desde 2022.

O que é a ciguatera

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados por toxinas produzidas por algas microscópicas, conhecidas como dinoflagelados, comuns em recifes de corais.

Essas toxinas se acumulam ao longo da cadeia alimentar, atingindo principalmente peixes carnívoros e, posteriormente, os seres humanos.

As substâncias tóxicas não têm cheiro nem sabor e não são eliminadas pelo cozimento ou congelamento.

Principais sintomas

Entre os sintomas mais comuns da intoxicação por ciguatera estão:

  • Náuseas e vômitos;
  • Diarreia e dores abdominais;
  • Formigamento e fraqueza muscular;
  • Alterações neurológicas;
  • Inversão térmica (frio sentido como quente e vice-versa);
  • Em casos mais graves, alterações cardíacas.

Não existe exame específico para confirmar a doença em humanos. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e no histórico alimentar do paciente. Também não há tratamento específico, sendo fundamental buscar atendimento médico imediato ao surgirem os primeiros sinais.

A Sesap informou que novas atualizações serão divulgadas assim que os resultados laboratoriais forem concluídos.

 

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