A Secretaria Estadual da Saúde Pública do Rio Grande
do Norte (Sesap) investiga quatro casos suspeitos de intoxicação por ciguatera
registrados no município de Touros, no litoral Norte do estado. As ocorrências
teriam sido registradas no dia 7 de janeiro, após o consumo de peixe. Amostras
já foram coletadas e encaminhadas para análise laboratorial.
De acordo com a Sesap, os casos seguem sendo
tratados como suspeitos, sem confirmação oficial até o momento. Ainda não há
informações conclusivas sobre a espécie de peixe consumida, nem se a ingestão
ocorreu em restaurantes ou residências.
Alerta ganhou repercussão nas redes
sociais
A investigação ganhou repercussão após a circulação
de mensagens em redes sociais e aplicativos, que alertavam para um possível
surto de ciguatera no estado. As publicações citavam espécies como bicuda,
cavala e arabaiana como possíveis fontes de contaminação.
Apesar disso, a Sesap reforça que não há confirmação
de surto e orienta a população a aguardar o resultado das análises antes de
tirar conclusões.
Casos anteriores acenderam alerta no
estado
A apuração em Touros ocorre meses após um episódio
semelhante registrado em maio do ano passado, quando duas médicas foram
internadas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após consumirem peixe em um
restaurante de Natal.
Na ocasião, o Departamento de Vigilância em Saúde
(DVS), por meio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde
(CIEVS) e da Vigilância Sanitária de Natal (Visa Natal), iniciou investigação
com acompanhamento da Sesap. As amostras foram analisadas pelo Laboratório
Central de Saúde Pública do RN (Lacen-RN).
Após o episódio, a Sesap chegou a publicar nota
informativa orientando profissionais de saúde a ficarem atentos a intoxicações
exógenas associadas ao consumo de pescados contaminados por toxinas naturais,
incluindo a ciguatera.
Segundo a secretaria, embora a magnitude da doença
no Brasil seja pouco conhecida, há registros em estados como Pernambuco,
especialmente no arquipélago de Fernando de Noronha, desde 2022.
O que é a ciguatera
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela
ingestão de peixes contaminados por toxinas produzidas por algas microscópicas,
conhecidas como dinoflagelados, comuns em recifes de corais.
Essas toxinas se acumulam ao longo da cadeia
alimentar, atingindo principalmente peixes carnívoros e, posteriormente, os
seres humanos.
As substâncias tóxicas não têm cheiro nem sabor e
não são eliminadas pelo cozimento ou congelamento.
Principais sintomas
Entre os sintomas mais comuns da intoxicação por
ciguatera estão:
- Náuseas
e vômitos;
- Diarreia
e dores abdominais;
- Formigamento
e fraqueza muscular;
- Alterações
neurológicas;
- Inversão
térmica (frio sentido como quente e vice-versa);
- Em
casos mais graves, alterações cardíacas.
Não existe exame específico para confirmar a doença
em humanos. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e no histórico
alimentar do paciente. Também não há tratamento específico, sendo fundamental
buscar atendimento médico imediato ao surgirem os primeiros sinais.
A Sesap informou que novas atualizações serão
divulgadas assim que os resultados laboratoriais forem concluídos.

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