A trajetória de Maduro mistura sindicalismo, herança
política e forte contestação internacional. Nicolás Maduro Moros, capturado
pelos Estados Unidos nesse sábado (3), construiu uma carreira marcada por
controvérsias e embates diplomáticos. Atualmente no poder há 12 anos, ele
cumpre o terceiro mandato presidencial e se mantém como uma das figuras mais
polêmicas da política latino-americana.
Natural de Caracas, Maduro nasceu em 23 de novembro
de 1962 e cresceu em um bairro de classe trabalhadora. Antes da política,
trabalhou como motorista de ônibus e, logo depois, atuou como líder sindical no
sistema de transporte da capital venezuelana. Além disso, essa atuação
aproximou o então sindicalista dos movimentos de esquerda que ganhavam força no
país no fim dos anos 1990.
Trajetória de Maduro e a ascensão com
Hugo Chávez
A trajetória de Maduro mudou de rumo quando ele se
aproximou de Hugo Chávez. Conforme avançava a Revolução Bolivariana, Maduro
ganhou espaço e assumiu cargos estratégicos. Primeiro, atuou como deputado,
depois como chanceler e, posteriormente, como vice-presidente. Assim, após a
morte de Chávez, em 2013, ele herdou o comando do país em um cenário de forte
polarização.
Casado com a advogada Cilia Flores, Maduro também
consolidou poder no âmbito familiar. Cilia ocupou cargos relevantes, como
deputada e presidente da Assembleia Nacional. Dessa forma, o casal passou a
exercer influência direta sobre decisões políticas centrais da Venezuela, o que
ampliou críticas da oposição e da comunidade internacional.
No entanto, a permanência no poder ocorreu sob
sucessivas contestações. A oposição venezuelana questionou o resultado das
eleições de 2024, nas quais Maduro declarou vitória. Em contraste, diversos
países se recusaram a reconhecer o pleito. O Brasil, sob o governo Luiz Inácio
Lula da Silva, adotou essa posição, assim como Argentina e Estados Unidos, que
criticaram a falta de transparência do processo eleitoral.
Além disso, Maduro entrou definitivamente na mira de
Washington após a volta de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. O
presidente americano acusa o líder venezuelano de liderar cartéis de drogas no
Caribe. Como resultado, Trump elevou para US$ 50 milhões a recompensa por
informações que levassem à prisão do ditador e autorizou operações navais
contra rotas do narcotráfico.

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