Você sabia que 51 dos 167 municípios do Rio Grande
do Norte têm mais eleitores aptos a votar do que habitantes? O número
representa quase um terço das cidades potiguares e chama atenção principalmente
pelas diferenças proporcionais.
O caso de Tibau,
no Oeste, é um dos mais impressionantes. O município tem aproximadamente 9,3
mil eleitores para 5,8 mil habitantes, quase 60% a mais de eleitores do que
moradores. Em Bodó, a diferença é
semelhante: são 3.794 eleitores para 2.357 habitantes. João Dias aparece na sequência, com 3.096 eleitores para 2.054
moradores.
Entre os municípios com as maiores proporções também
estão Passagem, com 4.563 eleitores
para 3.244 habitantes; Galinhos, com
2.869 para 2.159; Pedra Preta, com
3.310 para 2.491; Venha-Ver, com
3.945 para 2.976; Monte das Gameleiras, com
3.058 para 2.347, Ruy Barbosa, com
4.190 para 3.241, e Olho d’Água do
Borges, com 4.750 para 3.725.
Mas como explicar essa diferença?
O fenômeno não significa necessariamente fraude
eleitoral. O domicílio eleitoral não precisa ser o mesmo da residência. A legislação
permite que uma pessoa vote onde mantém vínculos familiares, afetivos,
profissionais ou comunitários. Também há moradores que deixam suas cidades de
origem, mas mantêm o título eleitoral no município.
No caso de Tibau, por exemplo, a presença de casas
de veraneio e proprietários que vivem em outras cidades ajuda a explicar parte
da diferença. Já nos municípios pequenos do interior, a migração de jovens em
busca de trabalho é um dos fatores apontados.
Ainda assim, números tão discrepantes merecem atenção
e transparência. A diferença entre população residente e eleitorado não prova
irregularidade, mas é um dado que merece ser acompanhado pela Justiça
Eleitoral.
BZN

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