A Procuradoria-Geral da República (PGR) quer impedir
que decisões judiciais de instâncias inferiores suspendam a proibição das
apostas esportivas e dos cassinos on-line no Brasil antes de o Supremo Tribunal
Federal (STF) julgar definitivamente a questão. Para isso, o procurador-geral
Paulo Gonet pediu, nesta sexta-feira (6), a suspensão de todos os processos que
contestam a medida provisória que proibiu as atividades.
Para Gonet, a multiplicação de ações judiciais e
decisões divergentes provoca insegurança jurídica e permite que a norma seja
aplicada de maneira diferente entre empresas do setor. Associações ligadas ao
mercado de apostas questionam a constitucionalidade da medida, alegando
violação à segurança jurídica, à livre concorrência e à autonomia dos estados.
A manifestação ocorre após decisões de tribunais
inferiores que chegaram a autorizar a retomada de operações de casas de
apostas. Nesta semana, a desembargadora federal Adriana Pileggi de Soveral, do
TRF-3, havia liberado o funcionamento de três empresas da CDA Gaming. A decisão
foi suspensa na sexta-feira pelo presidente do tribunal, Luís Antonio Johonsom
di Salvo, após pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).
O STF já discute a validade da medida provisória nº
1.394/2026, editada no fim de setembro. A norma proibiu apostas esportivas de
cota fixa e cassinos on-line, incluindo jogos como o chamado “tigrinho”. Os
sites, aplicativos e patrocínios das empresas foram retirados do ar em 6 de
outubro. A medida ainda depende de análise do Congresso para se tornar lei
definitiva.
O ministro Luiz Fux convocou uma audiência pública
para discutir os impactos jurídicos e econômicos da proibição. Na ocasião,
reafirmou ser contrário à exploração de jogos de azar e citou os riscos da
dependência em apostas. “Nós ouvimos toda a sociedade e eu me convenci de que a
ludopatia é um problema de saúde pública, é um problema econômico e que deveria
ser banida do cenário dos esportes nacionais”, afirmou.

Nenhum comentário:
Postar um comentário