domingo, 8 de novembro de 2026

Juros altos e endividamento aumentam risco de recessão no Brasil em 2027, aponta FGV

 


A economia brasileira pode enfrentar uma recessão em 2027, diante do aumento dos juros, do endividamento das famílias e da perda de força de setores importantes para a atividade econômica. Projeções do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), de consultorias e bancos apontam crescimento próximo de 1% no Produto Interno Bruto (PIB), mas não descartam uma contração.

Um estudo preliminar do Ibre-FGV indica que, se as condições financeiras continuarem piorando, setores como comércio, indústria de transformação e serviços poderão registrar retração de 0,5% em 2027. Mesmo com a previsão de crescimento da agropecuária e da indústria extrativa, o PIB poderia ficar estagnado.

Outras instituições também demonstram preocupação. A Fecomercio-SP aponta o risco de recessão, enquanto o Itaú reduziu sua previsão de crescimento do PIB de 1,2% para 0,5%. O Safra também avalia que aumentou a possibilidade de contração econômica.

Juros altos e endividamento preocupam

A alta dos juros e a incerteza sobre o equilíbrio das contas públicas têm dificultado o acesso ao crédito e pressionado o orçamento de famílias e empresas. Para economistas do Ibre-FGV, sem medidas fiscais capazes de melhorar as expectativas do mercado, aumenta o risco de uma crise de crédito.

O endividamento da população reforça esse cenário. Segundo a Serasa, o Brasil chegou a 84,2 milhões de inadimplentes em setembro, o equivalente a 51,1% dos adultos. Cada pessoa nessa situação deve, em média, R$ 7.094.

O comprometimento da renda com dívidas reduz o consumo de bens e serviços e pode aprofundar a desaceleração econômica.

Desemprego pode aumentar em 2027

O mercado de trabalho também deve sentir os efeitos da perda de ritmo da economia. A taxa de desemprego, projetada em 5,6% para 2026, poderá chegar a quase 7% no próximo ano.

A renda das famílias também perdeu força. Após crescer a uma média real de 7,3% ao ano entre 2021 e 2025, o indicador de renda disponível avançou apenas 0,1% no acumulado de janeiro a agosto de 2026.

Apesar dos sinais de desaceleração, economistas ressaltam que uma recessão ainda não é um cenário confirmado, mas um risco crescente para a economia brasileira em 2027.

 

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