A Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(CBIC) pediu ao governo federal um período de transição de cinco anos para a
implementação do fim da escala 6×1. A proposta foi apresentada nesta
quarta-feira (4) ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante
reunião em que a entidade entregou 11 sugestões para reduzir os impactos da
mudança no setor.
Segundo estudos da CBIC, a redução da jornada poderá
exigir a contratação de aproximadamente 300 mil novos trabalhadores para manter
o atual ritmo de produção. A entidade estima ainda um aumento de 10% a 15% nos
custos de mão de obra, com impacto superior a R$ 20 bilhões anuais caso a
capacidade produtiva seja recomposta por horas extras.
O setor alerta que a mudança, sem um período
adequado de adaptação, poderá resultar na construção de 35 mil moradias a menos
por ano, afetando programas como o Minha Casa, Minha Vida. Também há
preocupação com atrasos na entrega de escolas, creches, hospitais e obras de
infraestrutura.
“A construção civil precisa de um período de
transição para absorver essa transformação com estabilidade. Não é possível
adaptar sistemas, renegociar contratos, rever bancos de horas e reorganizar
toda a operação em apenas dois meses”, afirmou David Fratel, vice-presidente da
entidade.
Entre as propostas apresentadas estão regras
específicas para compensação de jornada, critérios para descanso semanal
remunerado e ajustes nas normas trabalhistas. O ministro Luiz Marinho recebeu o
documento e destacou a negociação coletiva como instrumento para adequar as
mudanças às diferentes realidades produtivas.
Com informações do Metrópoles

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