O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou
tanto na sua vida de heranças malditas, jeito que ele encontrou de sempre por a
culpa nos outros, até herdar de fato uma maldição: a maldição do incumbente.
É um fantasma que assombra quem está no poder não
importa em que país. Com Lula, parece um pouco pior essa assombração, pois ele
gastou o que tinha e não tinha para ganhar votos e continua enfrentando uma
situação muito difícil e apertada para virar a desvantagem com a qual saiu do
primeiro turno.
Em termos eleitorais, o retorno para tanta gastança
tem sido muito baixo. Seu adversário sofre com situação semelhante.
As eleições para o Legislativo consolidaram uma
imensa vantagem para a centro direita. As pesquisas indicam que Flávio
Bolsonaro continua o favorito para vencer as eleições, mas por margem mais
apertada do que logo após o primeiro turno.
É claro que a onda prejudicando Lula é a onda que
diretamente beneficia Flávio.
Essa onda aparece em alguns números de pesquisas publicadas.
Mas, sobretudo, nas pesquisas chamadas qualitativas,
que não são registradas no TSE. Elas trazem um sentimento generalizado de
mudança, causado por outro sentimento, o de que as coisas não melhoram.
Esses são fatores amplos, de longo prazo, nem um
pouco novos. Já os de curto prazo são imprevisíveis. Podem ser o que acontece
num último debate, pode ser algum tipo de humor do público que se consolida nas
últimas 24 horas, até mesmo nas últimas horas antes do fechamento.
Lula diz que soube sempre lidar com heranças
malditas. Com esta que enfrenta agora ainda não provou que consegue.
CNN Brasil

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