O Rio Grande do Norte registrou a segunda maior
redução do Brasil no tempo médio necessário para abrir uma empresa no segundo
trimestre de 2025. O prazo caiu 43,3% em relação ao trimestre anterior,
passando para 17 horas, segundo o Mapa da Burocracia, elaborado pela Adobe
Acrobat com dados do Mapa de Empresas do Ministério do Empreendedorismo e do
Sebrae.
A queda no Estado ficou atrás apenas da registrada
pelo Piauí, onde o tempo necessário para formalizar uma empresa recuou 50%.
Apesar da redução, o Rio Grande do Norte aparece na 17ª posição entre os 27
estados em relação ao tempo de abertura, empatado com Paraíba e Rondônia.
Em Natal, o avanço foi ainda maior. A capital
potiguar levou, em média, sete horas para formalizar uma empresa no segundo
trimestre de 2025, uma redução de 56,3% em relação aos três meses anteriores.
O resultado coloca Natal na 13ª posição entre as 27
capitais. A capital potiguar também registrou a segunda maior redução no tempo
de abertura entre as capitais brasileiras no período. Teresina teve a maior
queda, de 65%.
Segundo Cátia Lopes, gerente de Políticas Públicas
do Sebrae-RN, a redução do tempo médio de abertura de empresas no estado está
relacionada à aceleração dos processos nos municípios. “Natal tem o menor tempo
de abertura do Estado, o que ajuda muito, porque em Natal é tudo automatizado”,
afirma.
De acordo com Cátia Lopes, um dos fatores que tornam
a abertura mais rápida na capital é a automatização da consulta de viabilidade.
O sistema utiliza georreferenciamento para verificar se determinada atividade
pode funcionar no endereço informado pelo empreendedor.
Para a gerente, reduzir o tempo de abertura tem
impacto direto na competitividade e na capacidade de atração de investimentos.
“Quanto mais tempo o empreendedor precisa esperar para iniciar as atividades,
maior é o período em que deixa de faturar, gerar empregos e contribuir para a
arrecadação”, revela.
Clécio Souza abriu uma empresa de venda de calçados
em setembro de 2026. Ele conta que o processo de formalização foi mais rápido
do que esperava. “Não existiu muita burocracia não, foi tudo muito rápido, até
me surpreendi”, disse Clécio, que é vigilante e aproveita as horas vagas para
se dedicar à empresa. Atualmente, o negócio funciona de forma online. Ele
adquire mercadorias com um fornecedor no bairro Alecrim. “Eu pedi ajuda do
Sebrae e no mesmo dia, umas 4 horas, já tinha dado tudo certo”, conta.
De acordo com Marcelo Oliveira, secretário de
Finanças de Natal, um dos principais avanços na cidade ocorreu na consulta de
viabilidade, que passou a ter análise automática nos casos que podem ser
decididos a partir de regras previamente definidas.
“O sistema passou a realizar automaticamente a
análise dos casos que podem ser decididos com base em regras previamente
parametrizadas, reduzindo a necessidade de intervenção manual e acelerando a
resposta ao empreendedor”, explica.
O processo de abertura também é integrado à Redesim,
conectando Receita Federal, Junta Comercial e Prefeitura. O Directa recebe
eletronicamente as informações, realiza o processamento municipal e permite
etapas como o cadastramento automático da empresa e a geração da inscrição
municipal após a emissão do CNPJ.
A Sefin pretende ampliar a automação para reduzir
ainda mais o tempo de resposta. A meta, segundo o secretário, é automatizar
100% das consultas de viabilidade que possam ser decididas com base em critérios
objetivos, deixando a análise humana concentrada nos casos excepcionais.
Segundo os dados da Sefin, Natal registrou 2.297
novas empresas em 2024 e chegou a 3.444 em 2025, crescimento de 49,9%. Entre os
Microempreendedores Individuais (MEIs), as aberturas passaram de 1.373 para
2.259 no período, alta de 64,5%.
Abertura de empresas cresce 45% em seis
anos
Para o presidente da Junta Comercial do RN (Jucern),
Carlos Augusto Maia, os números mostram que a desburocratização tem produzido
efeitos tanto na quantidade de novos negócios quanto na agilidade dos
processos.
O Estado passou de 37.312 empresas abertas em 2019
para 54.124 em 2025, enquanto o tempo médio de registro caiu de 58 horas e 15
minutos para 22 horas e 25 minutos no período. “Para quem quer empreender,
reduzir o tempo gasto com burocracia significa poder começar a trabalhar mais
rapidamente”, afirma Carlos Maia.
Apenas de janeiro a agosto de 2026, foram
constituídos 41.006 novos negócios no RN, segundo a Jucern. “O poder público
pode contribuir retirando obstáculos administrativos e tornando esse caminho
mais simples para o empreendedor”, destaca.

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