sexta-feira, 2 de outubro de 2026

RN tem 2ª maior queda do país no tempo para abrir empresas

 


O Rio Grande do Norte registrou a segunda maior redução do Brasil no tempo médio necessário para abrir uma empresa no segundo trimestre de 2025. O prazo caiu 43,3% em relação ao trimestre anterior, passando para 17 horas, segundo o Mapa da Burocracia, elaborado pela Adobe Acrobat com dados do Mapa de Empresas do Ministério do Empreendedorismo e do Sebrae.

A queda no Estado ficou atrás apenas da registrada pelo Piauí, onde o tempo necessário para formalizar uma empresa recuou 50%. Apesar da redução, o Rio Grande do Norte aparece na 17ª posição entre os 27 estados em relação ao tempo de abertura, empatado com Paraíba e Rondônia.

Em Natal, o avanço foi ainda maior. A capital potiguar levou, em média, sete horas para formalizar uma empresa no segundo trimestre de 2025, uma redução de 56,3% em relação aos três meses anteriores.

O resultado coloca Natal na 13ª posição entre as 27 capitais. A capital potiguar também registrou a segunda maior redução no tempo de abertura entre as capitais brasileiras no período. Teresina teve a maior queda, de 65%.

Segundo Cátia Lopes, gerente de Políticas Públicas do Sebrae-RN, a redução do tempo médio de abertura de empresas no estado está relacionada à aceleração dos processos nos municípios. “Natal tem o menor tempo de abertura do Estado, o que ajuda muito, porque em Natal é tudo automatizado”, afirma.

De acordo com Cátia Lopes, um dos fatores que tornam a abertura mais rápida na capital é a automatização da consulta de viabilidade. O sistema utiliza georreferenciamento para verificar se determinada atividade pode funcionar no endereço informado pelo empreendedor.

Para a gerente, reduzir o tempo de abertura tem impacto direto na competitividade e na capacidade de atração de investimentos. “Quanto mais tempo o empreendedor precisa esperar para iniciar as atividades, maior é o período em que deixa de faturar, gerar empregos e contribuir para a arrecadação”, revela.

Clécio Souza abriu uma empresa de venda de calçados em setembro de 2026. Ele conta que o processo de formalização foi mais rápido do que esperava. “Não existiu muita burocracia não, foi tudo muito rápido, até me surpreendi”, disse Clécio, que é vigilante e aproveita as horas vagas para se dedicar à empresa. Atualmente, o negócio funciona de forma online. Ele adquire mercadorias com um fornecedor no bairro Alecrim. “Eu pedi ajuda do Sebrae e no mesmo dia, umas 4 horas, já tinha dado tudo certo”, conta.

De acordo com Marcelo Oliveira, secretário de Finanças de Natal, um dos principais avanços na cidade ocorreu na consulta de viabilidade, que passou a ter análise automática nos casos que podem ser decididos a partir de regras previamente definidas.

“O sistema passou a realizar automaticamente a análise dos casos que podem ser decididos com base em regras previamente parametrizadas, reduzindo a necessidade de intervenção manual e acelerando a resposta ao empreendedor”, explica.

O processo de abertura também é integrado à Redesim, conectando Receita Federal, Junta Comercial e Prefeitura. O Directa recebe eletronicamente as informações, realiza o processamento municipal e permite etapas como o cadastramento automático da empresa e a geração da inscrição municipal após a emissão do CNPJ.

A Sefin pretende ampliar a automação para reduzir ainda mais o tempo de resposta. A meta, segundo o secretário, é automatizar 100% das consultas de viabilidade que possam ser decididas com base em critérios objetivos, deixando a análise humana concentrada nos casos excepcionais.

Segundo os dados da Sefin, Natal registrou 2.297 novas empresas em 2024 e chegou a 3.444 em 2025, crescimento de 49,9%. Entre os Microempreendedores Individuais (MEIs), as aberturas passaram de 1.373 para 2.259 no período, alta de 64,5%.

Abertura de empresas cresce 45% em seis anos

Para o presidente da Junta Comercial do RN (Jucern), Carlos Augusto Maia, os números mostram que a desburocratização tem produzido efeitos tanto na quantidade de novos negócios quanto na agilidade dos processos.

O Estado passou de 37.312 empresas abertas em 2019 para 54.124 em 2025, enquanto o tempo médio de registro caiu de 58 horas e 15 minutos para 22 horas e 25 minutos no período. “Para quem quer empreender, reduzir o tempo gasto com burocracia significa poder começar a trabalhar mais rapidamente”, afirma Carlos Maia.

Apenas de janeiro a agosto de 2026, foram constituídos 41.006 novos negócios no RN, segundo a Jucern. “O poder público pode contribuir retirando obstáculos administrativos e tornando esse caminho mais simples para o empreendedor”, destaca.

 

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