O uso de um relatório de inteligência da Polícia
Federal sem valor probatório para embasar acusações contra o ministro André
Mendonça foi criticado até por aliados de Alexandre de Moraes no Supremo
Tribunal Federal (STF). Uma autoridade próxima a Moraes classificou o documento
como “exótico” e sua utilização como “vexatória”.
Segundo relatos ouvidos pelo UOL, um ministro do STF
considerou “espantosa” a tentativa de incluir Mendonça no inquérito das fake
news, embora previsível diante das revelações sobre a relação entre Moraes e o
banqueiro Daniel Vorcaro. As mesmas fontes afirmam ao UOL,
segundo a coluna de Cézar Feitosa, que já havia suspeitas de que
Mendonça estaria direcionando investigações, inclusive com interesse em avançar
sobre Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A principal controvérsia está no próprio caráter do
documento. Os seis relatórios foram produzidos pela área de inteligência da PF
entre 3 e 31 de agosto para orientar decisões internas da corporação. O
material é de circulação restrita, não tem valor probatório e inclui análises de
conjuntura, algumas classificadas pela própria PF com confiabilidade “baixa a
moderada”.
A produção dos relatórios teria ocorrido no contexto
da crise entre Mendonça e a cúpula da PF e ganhou repercussão depois que Moraes
determinou que o material fosse encaminhado ao STF. O uso das informações para
sustentar acusações contra Mendonça passou, então, a provocar questionamentos
dentro da própria Corte.
Com informações de UOL

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