Já se sabia que uísque sorvido com imoderação
tonteia. Sabia-se também que o charuto é cancerígeno. O que Paulo Gonet não
suspeitava é que a bebida e o fumo, quando fornecidos por Daniel Vorcaro,
adicionam aos males conhecidos danos severos à saúde institucional.
O procurador-geral da República inebriou-se com um
convite de Vorcaro para participar de seminário patrocinado pelo Master em
Londres. Mandou dizer, por meio de um advogado amigo, que aceitava o convite.
Tropeçou na própria língua: "Oba! Tomara que tenha charuto e
Macallan". Pediu a inclusão do filho, Pedro Gonet, no convescote.
Agindo como se nada tivesse sido descoberto sobre
ele, Gonet abriu uma investigação sobre a produção do relatório da PF que expôs
a relação entre Vorcaro e Alexandre de Moraes — o mesmo documento em que sua
língua soou desinibida. Em reação, a Associação Nacional dos Delegados de
Polícia Federal pediu que o procurador-geral se declare impedido de atuar no
caso Master.
UOL

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