O potiguar Swedenberger Barbosa, então
secretário-executivo do Ministério da Saúde, enviou à lobista Roberta
Luchsinger a portaria que aumentou em R$ 77 milhões o teto de repasses federais
para a saúde de Goiânia. Seis meses antes, ela havia se oferecido para ajudar a
elevar os recursos destinados à capital. As informações são da coluna
de Andreza Matais, no Metrópoles.
Segundo mensagens de celular obtidas pelo
Metrópoles, o envio da portaria ocorreu após um encontro entre Berger e Roberta
e apenas 17 minutos depois de o documento ser assinado pela então ministra da
Saúde, Nísia Trindade.
Em outubro de 2023, Roberta conversava com Quesede
Ayres Henrique, então secretário-executivo da Saúde de Goiânia, que buscava
ampliar os repasses federais. Após receber informações sobre os valores disponíveis
para Média e Alta Complexidade (MAC) e Piso de Atenção Primária (PAP), a
lobista respondeu: “Vou ver isso”.
Em 30 de abril de 2024, Roberta avisou a Berger que
estava a caminho de Brasília e levaria uma “lembrancinha”. Ele respondeu que
também queria encontrá-la e “atualizar conversas”. Às 19h34 daquele dia, Nísia
Trindade assinou a portaria que elevava em mais R$ 77 milhões o teto MAC de
Goiânia. Às 19h51, Berger encaminhou o documento à lobista.
O Ministério da Saúde afirmou que o teto de Média e
Alta Complexidade estava “represado há anos” e que a ampliação dos recursos
ocorreu em capitais e estados de todo o país, sem distinção. Segundo a pasta,
as solicitações são feitas exclusivamente pelas secretarias de Saúde e
analisadas pela equipe técnica.
A defesa de Berger afirmou que as transferências
realizadas durante sua gestão seguiram critérios técnicos e legais e o mesmo
trâmite aplicado aos demais entes da Federação. Também considerou “preocupante”
o uso de fragmentos de mensagens para sustentar ilações. A defesa de Roberta
não prestou esclarecimentos.


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