O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou na
última terça-feira (1º) com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
Edson Fachin, sobre a crise instalada na corte após a revelação de mensagens
trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Buscando demarcar distância de um aliado histórico para evitar contaminações em
sua campanha de reeleição, o petista definiu com seu grupo político que a linha
oficial será a de que ninguém está acima da lei.
No mesmo dia, Lula foi procurado pelo decano da
corte, Gilmar Mendes, que alertou sobre a falta de apoio institucional à cúpula
da Polícia Federal. O recado ocorreu em meio ao embate entre o diretor-geral da
PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, responsável por determinar o
relatório que expôs as conversas de Moraes com Vorcaro.
Enquanto o presidente do PT, Edinho Silva, publicou
vídeo afirmando que “o sistema apodreceu” e defendendo um código de ética para
o Judiciário, a avaliação no entorno presidencial é de que Lula não deve
levantar o tema voluntariamente, respondendo apenas se for questionado. Aliados
recordam que o próprio petista já havia cobrado publicamente em abril que
Moraes se declarasse impedido no caso do Banco Master, alertando-o para não
jogar fora sua biografia.
As revelações de que Vorcaro consultou Moraes sobre
uma possível fuga do país dias antes de ser preso somadas a um contrato de R$
131 milhões entre o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes,
e a instituição financeira geraram forte desgaste. Historicamente apoiado pelo
STF, o governo federal vê o caso repercutir diretamente nas urnas. Pesquisa
Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) mostra Lula tecnicamente empatado com
Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, com 42% a 41% das intenções de voto.
Do outro lado, a oposição aproveitou o escândalo
para intensificar pressões. Em comício realizado em Porto Alegre na noite de
quarta-feira, Flávio Bolsonaro atacou duramente o ministro e o presidente,
cobrando um posicionamento firme do governo. “Eu não sei se quem governa o
Brasil hoje é o Lula ou o Alexandre de Moraes”, declarou o senador, exigindo a
saída imediata do petista do cargo sob a acusação de omissão.
De acordo com a coluna de Andreza Matais, do
Metrópoles, Lula manteve conversas com o presidente do Supremo, Edson
Fachin; com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues; e com o ministro André
Mendonça. Entre terça (1º) e quarta (2), o presidente também tratou do
tema em duas reuniões realizadas no Palácio do Planalto.
A colunista relatou que Lula tem se mostrado
preocupado com o rompimento entre Andrei e Mendonça, relator do inquérito do
Banco Master. Ele teme o isolamento de Andrei, que se distanciou do ministro da
Justiça, Wellington Silva, e do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge
Messias.
Em conversas individuais, Lula afirmou que não
é de seu interesse alimentar a crise e que seu objetivo é ajudar a pacificar o
ambiente.
Com informações da Folha de São Paulo e
do Metrópoles

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