Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio
Bolsonaro tocam suas campanhas nesta eleição para a Presidência da República,
duas figuras correm com eles de mãos dadas: Janja Silva e Fernanda Bolsonaro,
suas respectivas esposas. Uma socióloga e a outra dentista, elas têm perfis
diferentes e, cada uma ao seu modo, vão ajudando seus maridos na corrida pela
vaga no Planalto.
Rosângela Lula da Silva, a Janja, é paranaense, tem
60 anos e está casada com Lula desde meados de 2017. Filiada ao Partido dos
Trabalhadores desde 1983, ela se formou em Ciências Sociais pela Universidade
Federal do Paraná (UFPR) e fez carreira na administração pública. Desde que seu
relacionamento com Lula se tornou notório, Janja virou espécie de cabo
eleitoral do marido. E desde que ele se elegeu presidente, em 2022, dando
início ao seu terceiro mandato, a socióloga foi uma primeira-dama ativa, muitas
vezes até criticada por sua frequente aparição na agenda presidencial.
Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, por sua vez,
sempre foi discreta. Dentista e casada com Flávio desde 2010, ela tem duas
filhas com o senador do PL, Luiza e Carolina. Desde que o clã Bolsonaro
ascendeu à projeção nacional, principalmente a partir das eleições de 2018
(quando seu sogro, Jair Bolsonaro, disputou a eleição com Lula), Fernanda
sempre se manteve longe dos holofotes. Até bem pouco tempo, ela mantinha um
perfil no Instagram sem post nenhum, e evitava aparições públicas. O
comportamento mudou, no entanto, nestas eleições de 2026.
O chamado de Fernanda
Diante de uma suposta dificuldade na identificação
de eleitoras mulheres com a candidatura de Flávio Bolsonaro, Fernanda foi
convocada para entrar em campo na campanha do senador. Seu primeiro post no
Instagram foi publicado na véspera do Natal de 2025. De lá para cá, foram 76
posts — a grande maioria relacionada à campanha do marido. Hoje, ela tem cerca
de 620 mil seguidores na plataforma.
Sua primeira aparição pública já como postulante à
primeira-dama também foi em dezembro, na convenção nacional do PL que confirmou
a candidatura de Flávio. Naquela ocasião, no palanque, ela disse que “não
aguenta mais quatro anos de PT” e mencionou a alta de violência contra a
mulher.
Desde o dia 16 de agosto, dia em que as campanhas
políticas começaram oficialmente, no entanto, Fernanda apareceu pouco ao lado
de Flávio Bolsonaro. Esteve com ele no lançamento da campanha, no ato em
Copacabana. Num determinado momento, ela sacou um batom e escreveu nas costas
do marido a frase "o Brasil vai vencer".
De lá para cá, ela tem atuado numa agenda própria.
Tem feito publicações sobre o combate da violência à mulher, entre outros
assuntos, como saúde pública. Ela já apareceu em evento no Rio Grande do Sul,
ao lado do candidato ao governo daquele estado, Zucco (PL). No 7 de setembro,
durante o comício do marido na Avenida Paulista, em São Paulo, ela também
discursou e citou um trecho bíblico.
Veja a seguir.
Janja, presente
A esposa de Lula, por outro lado, tem sido presença
frequente na campanha do petista. No lançamento da campanha na Vila Euclides,
em São Bernardo do Campo, Janja discursou no palanque. Ela lembrou de Dona
Marisa, companheira histórica de Lula que morreu em 2017.
"Mulheres lideradas por dona Marisa foram uma
força importante (nos atos sindicais dos anos 1980) e são pouco lembradas. Sem
a presença delas, talvez essa história toda tivesse sido diferente. Foi ela
quem bordou a primeira estrela do PT e a ela que eu dedico toda a minha
admiração", destacou a socióloga, que tem 3 milhões de seguidores no
Instagram.
Três dias depois, 21 de agosto, ela voltou a dar as
caras junto a Lula, desta vez em ato de lançamento da campanha de Patrus
Ananias (PT) ao governo de Minas Gerais. “Minas é terra de mulheres que não se
curva”, disse Janja no palanque. “Queremos mulheres com tempo para trabalhar,
estudar, descansar, namorar, viajar, curtir seus filhos, seus netos, suas
famílias, e principalmente, tempo para cuidar de nós mesmas”, continuou a
primeira-dama.
No dia seguinte, 22 de agosto, mais um palanque. No
Estádio Moça Bonita, em Bangu, na zona oeste do Rio, Janja não só discursou em
favor do marido, mas também cantou o jingle “Tapete vermelho” ao lado do cantor
gospel e pastor Kleber Lucas. Faz parte da estratégia do PT, aliás, aproximar o
presidente ao eleitorado evangélico.
A caminhada da primeira-dama continuou. Em 28 de
agosto, foi com Lula num ato da campanha do governador da Bahia, Jerônimo
Rodrigues (PT), realizado no Largo do Guarani, em Salvador (BA). E no dia
seguinte, 29 de agosto, um sábado, Janja foi uma das principais presenças do
ato "Mulheres com Lula", realizado em Belo Horizonte. Na ocasião, ela
passou por uma saia-justa, inclusive, quando foi confundida pelo presidente com
Dona Marisa. "Eu perdi minha 1ª mulher no parto, com 2 anos de casado,
depois eu perdi a Janja depois de 45 anos de casado. A Marisa, a Marisa. E
quando eu pensei que a minha vida não tinha mais sentido, Deus colocou no meu
caminho a Janja, que me faz ser um homem pleno", disse Lula.
Recentemente, no dia 19 de setembro, durante um ato
político em Florianópolis, Janja fez um discurso contra as bets no Brasil. A
fala reforça o posicionamento dela nas redes sociais: a primeira-dama vem
afirmando categoricamente que "precisamos acabar com as bets no
Brasil", defendendo que o debate sobre as plataformas deve ir além do
entretenimento por se tratar de uma questão de "responsabilidade, saúde
financeira e proteção, principalmente dos jovens".
O Globo

Nenhum comentário:
Postar um comentário