Os diálogos que vieram à tona entre o ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master,
Daniel Vorcaro, causaram extrema preocupação na campanha do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. As conversas foram reveladas pelo Estadão.
Desta vez, a gravidade do relatório da Polícia
Federal detalhando mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro é tanta que o
comitê de Lula ainda está à procura de uma estratégia para se afastar da crise.
Agora, a guerra fratricida nas fileiras do STF ameaça explodir em várias
direções da Praça dos Três Poderes e até paralisar votações de interesse do governo
no Congresso.
Dizer que quem tem de prestar contas sobre a relação
com Vorcaro é o candidato do PL, Flávio Bolsonaro – uma vez que até hoje não se
sabe onde foi parar o dinheiro enviado pelo banqueiro para financiar o filme
Dark Horse –, não é suficiente. Muito menos observar que o ministro do STF
André Mendonça – antagonista de Moraes, o Xandão – atua com dois pesos e duas
medidas por ter sido indicado para a Corte pelo então presidente Jair
Bolsonaro.
A partir de agora, Moraes e o Supremo viraram o principal
assunto da disputa eleitoral. Aliás, nada mais conveniente para Flávio do que o
surgimento dessa troca de mensagens às vésperas do ato convocado por ele para 7
de setembro, na Avenida Paulista.
Embora o escândalo não se refira a Lula, o episódio
serve de munição para Flávio e fortalece a defesa do impeachment de ministros
do STF. O afastamento de magistrados precisa passar pelo crivo do Senado e
candidatos a uma cadeira na Casa de Salão Azul que já adotam essa bandeira vão
ampliar a ofensiva.
Mas como a campanha de Lula vai reagir ao ataque
frontal a Moraes, relator das investigações que resultaram na condenação de
Jair Bolsonaro pelos atos golpistas do 8 de Janeiro?
“Vale para o STF o que vale para todos. Se cometeu
um crime, tem que ser investigado e tem que ser punido. Ninguém está acima da
lei”, disse o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme
Boulos.
Na prática, Boulos adotou o mesmo discurso que Lula
tem empregado em relação a seu próprio filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha,
investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência no
governo. Não quis, porém, jogar Moraes na fogueira.
“Eu não sou investigador da Polícia Federal, nem
procurador de Justiça. Cabe (a nós) ver a investigação acontecer”, disse ele.
“Acho que ninguém, em sã consciência, acha bom a imagem do Supremo ser
vilipendiada”.
Lula chegou a se distanciar de Moraes, seu antigo
aliado, após saber que o ministro atuou para barrar a indicação do
advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma cadeira no STF. Antes mesmo desse
episódio, o presidente já havia dito ao ministro que ele deveria explicar o
contrato milionário firmado pelo escritório de advocacia de sua mulher, Viviane
Barci, com Vorcaro.
Tudo voltou a ser só sorrisos, porém, quando Moraes
foi anfitrião de um jantar em sua casa, no início de agosto, para reaproximar
Lula do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A crise atual tem como agravante uma queda de braço
entre Mendonça, o algoz de Moraes, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei
Rodrigues. Resta saber o potencial de destruição dessa guerra.
Com informações do Estadão

Nenhum comentário:
Postar um comentário