Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam
que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se referia ao senador
Otto Alencar (PSD-BA) como “conselheiro” e “comandante”. As informações são do
jornal O Globo.
Fiel escudeiro de Lula (PT), Otto Alencar é
presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde facilita
a tramitação de qualquer projeto de interesse do governo do PT e barra os
projetos nos quais o Palácio do Planalto não tem interesse. A fidelidade de
Alencar a Lula se aguçou ainda mais depois que o presidente pressionou seus
aliados do governo da Bahia a nomear o filho do senador para o ambicionado
cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas baiano.
O relatório da PF descreve o advogado Ciro Soares
como intermediário entre Vorcaro e o senador. Segundo os investigadores, Soares
avisava quando estava com Otto, enviava fotos ao lado dele e fazia ligações
para repassar recados atribuídos ao parlamentar.Em 30 de maio de 2024, após
Soares escrever que “Otto queria falar” com Vorcaro, o banqueiro pediu que
mandasse “abraço” ao “nosso comandante” e afirmou que o senador era
“conselheiro e comandante nosso”.
Conversas posteriores voltam a citar Otto. Em 5 de dezembro
de 2024, Soares disse que o senador teria feito “um movimento grande” para
Vorcaro e que aguardava o banqueiro, sem detalhar o assunto.Em 2025, as
mensagens registram novas tentativas de aproximação e convites para um evento
em Londres. Em 19 de junho, Soares afirmou que tentava convencer Otto a viajar.
Vorcaro respondeu: “Tem que ir. Vamos tomar os top Macallan”, em referência ao
uísque.
Otto Alencar afirmou inicialmente que não tinha
relação com Vorcaro e que nunca o viu, trocou mensagens, fez ligações ou
participou de encontros. Depois da publicação, o senador disse que falou com o
banqueiro “duas ou três vezes” por telefone, usando o aparelho do advogado.
Segundo ele, Vorcaro pediu apoio a um texto apelidado de “emenda Master”, que
pretendia ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite coberto pelo Fundo
Garantidor de Crédito (FGC).
Otto declarou que não concordava com a proposta e
que já havia sido alertado sobre riscos pelo então ministro da Fazenda,
Fernando Haddad. A emenda não avançou porque foi rejeitada pelo relator da PEC
da Autonomia do Banco Central, senador Plínio Valério (PSDB-AM).
Ciro Soares afirmou não ser alvo de inquéritos
ligados ao caso e negou ter organizado encontros presenciais entre os dois.
Disse que seria “natural” uma reunião entre um líder político e um líder
empresarial, mas que não houve almoço ou encontros organizados por ele.
A defesa de Vorcaro não comentou as mensagens, mas
tem dito que o banqueiro está à disposição para prestar esclarecimentos. O
relatório da PF também cita tentativas de marcar reuniões presenciais em 2024 e
2025, com indicações de locais em Brasília e Salvador.
DIÁRIO DO PODER

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