O governo Lula (PT) empenhou 65,29 milhões de reais
em emendas parlamentares da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) após a
congressista, em conjunto com o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), denunciar o
deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) à Polícia Federal (PF) por suposto estupro de
vulnerável e tentativa de ocultação de fatos. As informações são do site O
Antagonista.
O montante representa 96,31% de tudo que o governo
empenhou nas emendas de Soraya neste ano até o momento (67,79 milhões de
reais). No total, o Orçamento da União de 2026 prevê 74,01 milhões de reais em
emendas de Soraya. Até o momento, foram pagos 52,08 milhões de reais do total.
Os dados foram levantados por O
Antagonista por meio do Siga Brasil e do Sistema Integrado de
Planejamento e Orçamento (Siop). O empenho é a reserva do
dinheiro pelo Executivo para garantir o pagamento de um serviço ou a
compra de um bem conforme indicado pelos parlamentares.
O documento do agora pré-candidato a vice-presidente
na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedia o indiciamento de Fábio Luís Lula da
Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
As suspeitas levantadas pelo petista e por Soraya em
março serviram para a base governista tentar descredibilizar Gaspar durante a
leitura do relatório, que, em 28 de março, acabou sendo rejeitado pela CPMI –
com os governistas conseguindo maioria de votos para derrubá-lo.
Soraya Thronicke foi às redes sociais no último dia
17 de julho reafirmar que será candidata à reeleição. O anúncio ocorreu pelo X,
após ela postar uma foto ao lado do seu novo aliado, Lula.
Durante o mês de julho, o PT convidou Soraya para
compor, como primeira suplente, uma chapa que será encabeçada pelo
pré-candidato ao Senado, Vander Loubet, mas a parlamentar rejeitou a proposta.
A executiva nacional do PSB ficou incomodada com o
“convite” petista. O vice-presidente Geraldo Alckmin também era contra a
ideia. “Se sou pré-candidata à reeleição? Nunca deixei de ser!”, afirmou
a parlamentar pelo X, antigo Twitter.
Soraya Thronicke foi eleita senadora em 2018 com o
apoio de Jair Bolsonaro (PL). Ela começou a se distanciar do ex-presidente
ainda em 2019, concluindo o rompimento em 2020, durante a pandemia de Covid. Em
2022, ela disputou a Presidência da República pelo União Brasil. Desde 2023, a
senadora passou a integrar a base governista.
Depoimento indica trama
Um boletim de ocorrência registrado na Polícia
Legislativa Federal da Câmara dos Deputados aponta para a suspeita de
uma trama destinada a fabricar uma acusação de estupro de vulnerável
contra Alfredo Gaspar.
A trama supostamente envolveria diretamente por
Lindbergh Farias, ex-líder do PT na Câmara e um dos principais integrantes da
tropa de choque governista. O caso foi revelado pelo portal Metrópoles, mas O
Antagonista traz novos detalhes dessa história.
O caso começou a ser descoberto em 14 de abril,
quando a assessora de Gaspar, Marise Pena, relatou à Polícia Legislativa ter
recebido uma ligação de uma pessoa identificada como Luiz Antonio Lopes.
Segundo ela, o homem afirmou ter conhecimento de uma armação envolvendo uma
jovem que assumiria identidade falsa e receberia dinheiro para sustentar uma
história de abuso sexual contra o parlamentar.

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