sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Etiqueta de dinheiro, bilhete e foto de carro: Autor de homicídio no Maranhão entregou à PF supostas provas contra políticos

 



A notícia é do G1 e vem a público diante da polêmica no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Flávio Dino vem julgando ex-aliados no Maranhão, como o atual governador Carlos Brandão (que já foi vice dele, mas hoje estão rompidos). Segue o texto:

Gilbson Cutrim Júnior – condenado por um homicídio em São Luís que trouxe à tona suspeitas de um esquema de desvio de dinheiro público no Maranhão – entregou à Polícia Federal (PF) documentos que, segundo ele, podem ajudar a comprovar a participação do grupo do governador Carlos Brandão (MDB) em crimes:

um papel escrito à mão com números de processos;

a etiqueta que acompanhava um maço de dinheiro vivo; e

o vídeo de um carro estão entre as supostas provas.

De acordo a defesa de Gilbson Júnior no documento obtido pela reportagem, o governador e familiares combinaram com ele a "cobrança de processos referentes a recebíveis de gestões passadas e o transporte de valores para o escritório da família" Brandão.

O esquema, segundo Gilbson Júnior, consistia em procurar empresas que tinham valores a receber de governos anteriores e combinar o pagamento, na atual gestão, desde que os empresários devolvessem uma parte do dinheiro.

"Ficou acertado que Gilbson César Soares Cutrim Júnior deveria 'correr atrás' de empresas que teriam valores a receber de gestões passadas, mais especificamente os valores que fossem acima de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões). Para tanto, foi-lhe repassada uma relação de processos conforme foto do documento abaixo", afirmou a defesa em petição enviada à PF.

Gilbson Júnior foi condenado por matar um homem a tiros em agosto de 2022, em um centro comercial de São Luís, o Tech Office. Inicialmente, a Polícia Civil do Maranhão concluiu que o homicídio, à luz do dia, resultou de uma briga pessoal.

Em 2024, ele foi condenado sozinho pelo crime a uma pena de 13 anos de prisão.

Depois, porém, a PF entrou no caso e apontou que o assassinato tinha relação com um suposto desentendimento devido à divisão de propinas oriundas de contratos públicos.

Na última terça (18), o g1 revelou um depoimento que Gilbson Júnior prestou à PF. Ele afirmou que teve várias reuniões com o governador Carlos Brandão dentro do Palácio dos Leões, sede do Executivo maranhense, e transportava dinheiro para o local.

Na segunda-feira (17), o ministro Flávio Dino, relator das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu afastar do cargo o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Daniel Brandão — que é sobrinho do governador.

Daniel é suspeito de envolvimento nos crimes e estava presente na reunião no Tech Office que culminou no homicídio.

'Compra de silêncio'

Antes de Gilbson Júnior e seus familiares decidirem contar sua versão e implicar políticos nos crimes, o assassino teria recebido pagamentos mensais, em dinheiro vivo, para ficar em silêncio, de acordo com sua defesa.

"Foi oferecida a importância mensal de R$ 30 mil para comprar o seu silêncio. Acontece, entretanto, que do valor acordado, somente R$ 15 mil passaram a ser recebidos pela família do preso. Tais pagamentos eram feitos por intermédio do motorista do senhor Marcus Brandão [irmão do governador], o nacional ERICK, que entregava o valor em mãos ao pai do senhor Gilbson Júnior", afirmou a defesa à PF.

"Em um dos encontros para recebimento do dinheiro em espécie, foi retirada uma foto do carro usado", disse a defesa, com o objetivo de identificar o proprietário a partir da placa.

 

 

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