terça-feira, 18 de agosto de 2026

Eleições 2026: total de candidatos despenca 30% e registra maior queda da história

 


O número de postulantes a cargos eletivos nas eleições gerais de 2026 sofreu um recuo histórico, marcando a maior queda de candidaturas já registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral desde 1994. Dados consolidados após o fim do prazo de registros indicam a presença de 20.524 candidatos no pleito deste ano, o que representa um encolhimento de aproximadamente 30% em relação a 2022 e significa cerca de 8.700 postulantes a menos na disputa.

O movimento interrompe um ciclo contínuo de expansão no país, visto que, desde o início das medições do tribunal, a única retração havia ocorrido em 2006, com um recuo pontual de 3%. Nas duas últimas disputas gerais, de 2018 e 2022, o volume de candidatos havia se mantido estável na casa dos 29 mil. A Justiça Eleitoral ressalta que o número final ainda pode sofrer pequenas alterações decorrentes de eventuais indeferimentos, desistências ou substituições.

O impacto mais severo desse encolhimento ocorreu na disputa pelos cargos legislativos. O contingente de candidatos a deputado federal caiu de 10.630 em 2022 para 7.632 em 2026, reduzindo a relação de concorrência de 21 para 15 postulantes por vaga. Já entre as vagas para deputado estadual e distrital, o total de concorrentes despencou de 17.347 para 11.521, reduzindo a disputa média de 16 para 11 nomes por cadeira. Segundo analistas políticos, a retração é o resultado direto das minirreformas eleitorais aprovadas em 2015 e 2017. As novas regras impuseram critérios mais rígidos de cláusula de barreira e restrição ao fundo partidário, estimulando fusões e a formação de federações que passam a atuar sob as mesmas cotas de candidaturas.

Para este pleito, 30 legendas disputam as urnas — duas a menos do que em 2022 —, fruto de fusões como a que gerou o PRD e da formação de novas federações, a exemplo de União com PP e PRD com Solidariedade. Na análise individual dos partidos, a maior queda foi registrada pelo PRTB, que despencou de 939 candidatos em 2022 para apenas 10 em 2026 por conta de disputas judiciais pelo comando da sigla. Em contrapartida, o Novo foi a legenda com maior expansão absoluta, somando 817 novos postulantes, seguido pela Unidade Popular. Regionalmente, a retração atingiu todas as unidades da Federação, com reduções acima de 40% em estados como Alagoas, Amapá, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Especialistas apontam que a redução no número de nomes traz impactos mistos para o sistema político brasileiro. Por um lado, a diminuição de legendas com representatividade tende a simplificar as negociações do presidencialismo de coalizão no Congresso e a dificultar a inserção de candidaturas ligadas ao crime organizado. Por outro lado, a concentração de recursos públicos e emendas parlamentares na mão de quem já detém mandato eleva a barreira de entrada para novos concorrentes, o que elitiza o processo eleitoral e impõe entraves à renovação política no país.

Com informações da Folha de São Paulo

 

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