A senadora Dra. Eudócia (AL) fez uma série de
acusações graves contra o senador Renan Calheiros e contra Renan Filho, ex-governador
de Alagoas, durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado
Federal, nesta terça-feira (7). A parlamentar afirmou que os dois teriam
relação com um suposto esquema envolvendo sonegação fiscal, lavagem de dinheiro
e crime organizado, citando a Operação Carbono Oculto e desdobramentos
investigativos no setor de combustíveis.
Durante a fala, Dra. Eudócia disse estar “indignada”
com o que classificou como uma ligação entre o antigo governo de Alagoas e
empresários investigados no setor de combustíveis. “Isso me causa revolta, isso
me causa indignação de saber que o ex-governador Renan Filho compactuou com
esse crime de forma que ele está envolvido com o crime organizado, lavagem de
dinheiro junto com o Paulo Dantas e junto também com o senador Renan
Calheiros”, declarou.
A senadora afirmou ainda que, em sua avaliação,
decisões relevantes do governo estadual passariam pelo senador Renan Calheiros.
“Tudo antes de passar nas mãos do Renan Filho e do Paulo Dantas tem que passar
nas mãos do senador Renan Calheiros”, afirmou.
As acusações foram feitas em um momento de tensão na
CAE. Segundo a parlamentar, Renan Filho havia participado da reunião por
videoconferência e relatado projetos de lei, mas não teria respondido às
acusações feitas anteriormente por ela. Dra. Eudócia citou um ditado popular
para criticar o silêncio.
“Na minha terra a gente sempre diz: quem cala
consente. Então, implicitamente, ele está consentindo que realmente tem
ligação, sim, com o Ricardo Magro e com a sonegação de imposto que aconteceu no
estado de Alagoas”, disse.
Senadora cita Ricardo Magro, Refit e
suposto esquema com combustíveis
Na declaração, Dra. Eudócia mencionou o empresário
Ricardo Magro, ligado à antiga Refinaria de Manguinhos, atual Refit, e afirmou que
ele estaria foragido e incluído na lista vermelha da Interpol. A parlamentar
associou o empresário a um suposto esquema de sonegação bilionária no setor de
combustíveis.
“O Ricardo Magro, que era dono da Refinaria
Manguinhos, que atualmente se chama Refit, teve ligação direta com a sonegação
de impostos que o ex-governador Renan Filho fez no meu estado de Alagoas”,
afirmou.
Segundo a senadora, combustíveis importados teriam
passado por águas alagoanas antes de seguir para o Rio de Janeiro, sem
fiscalização efetiva no estado.
“Os navios vinham de fora, paravam nas águas
profundas de Alagoas, sequer atracavam no porto. Os barris de combustível
chegavam intactos no Rio de Janeiro porque sequer eram fiscalizados em
Alagoas”, declarou.
Dra. Eudócia questionou por que as cargas teriam que
passar por Alagoas antes de seguirem para o Rio de Janeiro. “Por que esses
combustíveis que vinham de fora tinham que passar pelas águas, pelo oceano de
Alagoas? E por que esses navios não atracavam em Alagoas?”, perguntou.
Precatórios e ICMS entram no centro da
acusação
Outro ponto central da fala foi a suposta utilização
de precatórios para pagamento de ICMS. A senadora afirmou que decretos editados
durante a gestão de Renan Filho, com participação do então secretário da
Fazenda George Santoro, teriam permitido que tributos fossem quitados com o que
ela chamou de “precatórios podres”.
“Por que Santoro e Renan Filho fizeram decretos para
pagar esse ICMS através de precatórios? Precatórios podres, senhor presidente”,
disse. Segundo Dra. Eudócia, Alagoas teria deixado de arrecadar quase R$ 1
bilhão com o mecanismo.
“Foram sonegados quase R$ 1 bilhão para o meu
estado, que é um estado pequeno e carente de recursos. Isso é muito”, declarou.
A parlamentar afirmou que o dinheiro poderia ter sido usado em áreas
essenciais.
“Esse ICMS poderia entrar no estado de Alagoas para
que nós pudéssemos ter mais recursos para colocar na saúde, na educação, para
construir moradias e melhorar o nosso estado”, disse.
Acusação envolve PCC e contratos de
jatinhos
Dra. Eudócia também afirmou que o suposto esquema
teria ligação com o PCC. Ela acusou o atual governador de Alagoas, Paulo
Dantas, de manter operações que, segundo ela, teriam relação com integrantes da
organização criminosa.
“Infelizmente, saber que o estado de Alagoas,
através do Renan Filho, está ligado a esse esquema de lavagem de dinheiro
através de Ricardo Magro e saber que o PCC está envolvido nesse esquema.
Portanto, o Renan Filho também está envolvido com o PCC, como está envolvido
Paulo Dantas”, afirmou.
A senadora ainda citou supostos contratos envolvendo
aeronaves. “Paulo Dantas, que é o atual governador, inclusive alugou jatinhos
do PCC. O levantamento que nós fizemos já está em milhões de reais pagos ao
PCC, dono desses jatinhos, como o Beto Louco e outros mais”, declarou.
Pedido de investigação e CPI
Dra. Eudócia informou que apresentou uma
notícia-crime contra Renan Filho junto à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral
da República e ao Ministério Público Federal. Ela também defendeu a criação da
CPI do Carbono Oculto para investigar suspeitas no setor de combustíveis.
“Coloquei uma notícia-crime contra o ex-governador
Renan Filho na Polícia Federal, na PGR e no Ministério Público Federal para que
apure o motivo dele não ter recolhido esses impostos para Alagoas”, afirmou.
A parlamentar pediu apoio de outros senadores para
instalar a comissão parlamentar de inquérito. “Eu abri uma CPI chamada CPI do
Carbono Oculto e peço aos colegas senadores e senadoras que possam assinar para
a gente passar o Brasil a limpo em relação a esses crimes”, disse.
Até o momento, as declarações representam acusações
feitas pela senadora Dra. Eudócia e dependem de apuração pelos órgãos
competentes. Renan Calheiros, Renan Filho, Paulo Dantas e os demais citados não
foram condenados pelos fatos mencionados na fala. O espaço permanece aberto
para manifestação dos citados.

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