quarta-feira, 8 de julho de 2026

RN exporta US$ 639,1 mi no 1º semestre, maior valor para o período em 10 anos

 


Felipe Salustino
Repórter

As exportações potiguares acumularam um volume de US$ 639,1 milhões entre janeiro e junho deste ano, o maior valor registrado para um primeiro semestre desde 2016. O montante representa alta de 20,6% em relação aos seis primeiro meses de 2024, quando o RN teve US$ 529,5 milhões em vendas externas (o segundo melhor resultado dos últimos 10 anos) e de 30% em relação ao mesmo período do ano passado (com um acumulado nas exportações de US$ 491,6 milhões).

Levando em conta apenas o mês de junho passado, a corrente de comércio estadual somou US$ 121,7 milhões, sendo US$ 83,5 milhões em exportações e US$ 38,2 milhões em importações. O saldo da balança comercial de junho ficou em US$ 45,3 milhões, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec) e da plataforma Comexstat, do Governo Federal.

No acumulado do primeiro semestre de 2026, a corrente de comércio do estado ultrapassou US$ 881 milhões, representando um crescimento de 22,3% em relação ao mesmo período de 2025. Os itens mais exportados nos primeiros seis meses deste ano foram os óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) com R$ 291,1 milhões vendidos, seguidos de ouro (US$ 157,5 milhões) e frutas (US$ 112,6 milhões).

O Panamá, para onde foram vendidos US$ 244,2 milhões no período, é o principal destino das exportações, respondendo por 38,2% das vendas externas do RN no primeiro semestre de 2026. Em seguida vêm Canadá (18%), Países Baixos (9,1%) e Suíça (7%).

Segundo o economista Robespierre do Ó, o desempenho registrado entre janeiro e junho deste ano, apesar de positivo, revela uma preocupação: a alta dependência das commodities, cujos preços são ditados pelo mercado, tornando as exportações estaduais suscetíveis a oscilações.

“As vendas ficam reféns das commodities, quando, na verdade, poderiam contar com valor agregado. A alta participação do petróleo, por exemplo, tem a ver com o preço desse item, que disparou nos últimos meses, e não com produtos do refino. Outro aspecto que acende um alerta nesse sentido é que nossa produção vem registrando queda”, explica. Na avaliação do economista, o preço do produto tende a cair nos próximos meses, o que deverá impactar as importações potiguares.

Já o preço dos itens da fruticultura deverá ser mantido, enquanto minerais como ouro deverão seguir em expansão. “À medida que Estados Unidos e Irã firmarem algum acordo [pelo fim do conflito entre os dois países], o petróleo cai, impactando nossas exportações. A fruticultura seguirá estabilizada, a menos que ocorra alguma crise na Europa – nesse caso, podem ser buscados novos mercados. E o preço do ouro e da xelita, esta com importante produção no RN, por sua vez, deve seguir expandindo”, avalia Robespierre.

Mário Tavares, presidente do o Sindicato das Indústrias da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos do RN (Sindiminerais-RN), afirma que o desempenho do ouro nas vendas para o exterior tem a ver com a exploração do item no estado, ligada às operações da Aura Minerals, cuja atividade tem se consolidado, segundo ele, há cerca de oito meses.

“A expectativa é de que a exploração, praticamente no início, cresça ainda mais nos próximos meses. E isso, aliado aos bons preços do ouro no mercado mundial, contribui para os números da exportação no estado”, analisa Tavares.

Junho
Levando-se em conta o comparativo apenas do mês de junho, as exportações do Rio Grande do Norte (US$ 83,5 milhões) apresentaram alta de 77,3% em comparação com junho do ano anterior (US$ 47,1 milhões). Entre os produtos exportados no mês, o óleo combustível liderou a pauta, com US$ 35,9 milhões, seguido pelo bulhão dourado em forma bruta para uso não monetário (US$ 26,4 milhões), mamões frescos (US$ 2,1 milhões), sal marinho (US$ 2,1 milhões) e tecidos de algodão (US$ 2 milhões).

Esses cinco produtos responderam por 82% do total exportado pelo Rio Grande do Norte no período. Nas importações, destacaram-se outras gasolinas, exceto para aviação (US$ 9,4 milhões), outros trigos e misturas de trigo com centeio (US$ 5,7 milhões), coque de petróleo não calcinado (US$ 2,4 milhões), partes de outros motores, geradores e grupos eletrogeradores (US$ 1,8 milhão) e policloreto de vinila (PVC) (US$ 1,2 milhão). As informações são da Sedec-RN.

Em junho de 2026, os principais destinos das exportações estaduais foram o Panamá, com US$ 35,9
milhões; o Canadá, com US$ 26,6 milhões; além de Estados Unidos (US$ 2,4 milhões), México (US$ 2,2 milhões) e Portugal (US$ 2,1 milhões). Juntos, esses cinco países responderam por 82,7% do total exportado pelo RN no mês.

Segundo a Sedec, em junho as exportações ocorreram principalmente por via marítima, com movimentação de US$ 53,4 milhões, seguida da via aérea, com US$ 29,5 milhões, e da via rodoviária, com US$ 558,2 mil. Nas importações, a via marítima respondeu por 88,4% das operações, com US$ 33,8 milhões, seguida da via aérea, com US$ 4,3 milhões.

 

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