Felipe Salustino
Repórter
As exportações potiguares acumularam um volume de
US$ 639,1 milhões entre janeiro e junho deste ano, o maior valor registrado
para um primeiro semestre desde 2016. O montante representa alta de 20,6% em
relação aos seis primeiro meses de 2024, quando o RN teve US$ 529,5 milhões em
vendas externas (o segundo melhor resultado dos últimos 10 anos) e de 30% em
relação ao mesmo período do ano passado (com um acumulado nas exportações de
US$ 491,6 milhões).
Levando em conta apenas o mês de junho passado, a corrente de comércio estadual
somou US$ 121,7 milhões, sendo US$ 83,5 milhões em exportações e US$ 38,2
milhões em importações. O saldo da balança comercial de junho ficou em US$ 45,3
milhões, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec)
e da plataforma Comexstat, do Governo Federal.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, a corrente de comércio do estado
ultrapassou US$ 881 milhões, representando um crescimento de 22,3% em relação
ao mesmo período de 2025. Os itens mais exportados nos primeiros seis meses
deste ano foram os óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos
(exceto óleos brutos) com R$ 291,1 milhões vendidos, seguidos de ouro (US$
157,5 milhões) e frutas (US$ 112,6 milhões).
O Panamá, para onde foram vendidos US$ 244,2 milhões no período, é o principal
destino das exportações, respondendo por 38,2% das vendas externas do RN no
primeiro semestre de 2026. Em seguida vêm Canadá (18%), Países Baixos (9,1%) e
Suíça (7%).
Segundo o economista Robespierre do Ó, o desempenho registrado entre janeiro e
junho deste ano, apesar de positivo, revela uma preocupação: a alta dependência
das commodities, cujos preços são ditados pelo mercado, tornando as exportações
estaduais suscetíveis a oscilações.
“As vendas ficam reféns das commodities, quando, na verdade, poderiam contar
com valor agregado. A alta participação do petróleo, por exemplo, tem a ver com
o preço desse item, que disparou nos últimos meses, e não com produtos do
refino. Outro aspecto que acende um alerta nesse sentido é que nossa produção
vem registrando queda”, explica. Na avaliação do economista, o preço do produto
tende a cair nos próximos meses, o que deverá impactar as importações
potiguares.
Já o preço dos itens da fruticultura deverá ser mantido, enquanto minerais como
ouro deverão seguir em expansão. “À medida que Estados Unidos e Irã firmarem
algum acordo [pelo fim do conflito entre os dois países], o petróleo cai,
impactando nossas exportações. A fruticultura seguirá estabilizada, a menos que
ocorra alguma crise na Europa – nesse caso, podem ser buscados novos mercados.
E o preço do ouro e da xelita, esta com importante produção no RN, por sua vez,
deve seguir expandindo”, avalia Robespierre.
Mário Tavares, presidente do o Sindicato das Indústrias da Extração de Metais
Básicos e de Minerais Não Metálicos do RN (Sindiminerais-RN), afirma que o
desempenho do ouro nas vendas para o exterior tem a ver com a exploração do
item no estado, ligada às operações da Aura Minerals, cuja atividade tem se
consolidado, segundo ele, há cerca de oito meses.
“A expectativa é de que a exploração, praticamente no início, cresça ainda mais
nos próximos meses. E isso, aliado aos bons preços do ouro no mercado mundial,
contribui para os números da exportação no estado”, analisa Tavares.
Junho
Levando-se
em conta o comparativo apenas do mês de junho, as exportações do Rio Grande do
Norte (US$ 83,5 milhões) apresentaram alta de 77,3% em comparação com junho do
ano anterior (US$ 47,1 milhões). Entre os produtos exportados no mês, o óleo
combustível liderou a pauta, com US$ 35,9 milhões, seguido pelo bulhão dourado
em forma bruta para uso não monetário (US$ 26,4 milhões), mamões frescos (US$
2,1 milhões), sal marinho (US$ 2,1 milhões) e tecidos de algodão (US$ 2
milhões).
Esses cinco produtos responderam por 82% do total exportado pelo Rio Grande do
Norte no período. Nas importações, destacaram-se outras gasolinas, exceto para
aviação (US$ 9,4 milhões), outros trigos e misturas de trigo com centeio (US$
5,7 milhões), coque de petróleo não calcinado (US$ 2,4 milhões), partes de
outros motores, geradores e grupos eletrogeradores (US$ 1,8 milhão) e
policloreto de vinila (PVC) (US$ 1,2 milhão). As informações são da Sedec-RN.
Em junho de 2026, os principais destinos das exportações estaduais foram o
Panamá, com US$ 35,9
milhões; o Canadá, com US$ 26,6 milhões; além de Estados Unidos (US$ 2,4
milhões), México (US$ 2,2 milhões) e Portugal (US$ 2,1 milhões). Juntos, esses
cinco países responderam por 82,7% do total exportado pelo RN no mês.
Segundo a Sedec, em junho as exportações ocorreram principalmente por via
marítima, com movimentação de US$ 53,4 milhões, seguida da via aérea, com US$
29,5 milhões, e da via rodoviária, com US$ 558,2 mil. Nas importações, a via
marítima respondeu por 88,4% das operações, com US$ 33,8 milhões, seguida da
via aérea, com US$ 4,3 milhões.

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