O ministro da Justiça, Wellington César Lima e
Silva, rejeitou um recurso apresentado pelo ex-diretor da penitenciária federal
de Mossoró (RN) Humberto Gleydson Fontinele Alencar contra a pena de suspensão
imposta a ele após a fuga
de dois detentos da unidade, em fevereiro de 2024.
As fugas de Deibson
Nascimento e Rogério Mendonça foram as primeiras registradas na
história do sistema penitenciário federal. Eles foram recapturados
após 50 dias de buscas intensas, que envolveram centenas de homens e custaram
milhões aos cofres públicos (relembre no vídeo abaixo).
O episódio gerou a abertura de três
processos administrativos disciplinares pela corregedoria do sistema
penitenciário federal em desfavor de dez policiais penais que
atuavam no presídio de Mossoró na época das fugas.
O PAD em desfavor de Alencar foi o último a ser
concluído, em dezembro do ano passado. Segundo a Secretaria Nacional de
Políticas Penais (Senappen), ligada ao Ministério da
Justiça, o ex-diretor recebeu uma penalidade disciplinar de suspensão
por 30 dias.
Alencar recorreu ao ministro da Justiça contra a
punição aplicada pela corregedoria. No final de junho, foi publicada
portaria em que Wellington Silva rejeita o recurso e mantém a pena de suspensão
contra o ex-diretor.
PF investigou fuga
As circunstâncias que permitiram a fuga dos dois
detentos foram investigadas pela Polícia Federal. O relatório final apontou que
a negligência “evidente” e a violação do dever de cuidado por parte de
servidores da penitenciária federal de Mossoró contribuiu para que os presos
conseguissem escapar.
Apesar disso, a PF afirma que não foram encontradas
evidências de que os detentos contaram com ajuda para conseguir fugir. Por
isso, encerrou a investigação sem indiciar nenhum servidor da penitenciária.
O relatório da PF aponta que as falhas na estrutura
da penitenciária comprometeram a segurança da unidade e contribuíram para
facilitar a fuga dos dois detentos.
De acordo com o documento, o alambrado da unidade,
por exemplo, estava deteriorado e pôde ser rompido facilmente, com as mãos.
A PF também aponta problemas nas celas ocupadas
pelos fugitivos, que conseguiram usar materiais da própria estrutura do prédio
para fazer ferramentas.
Um relatório do governo sobre o episódio apontou
falhas graves de segurança que facilitaram a fuga, ocorrida em 14 de fevereiro
de 2024. Segundo o documento, eles se aproveitaram da falta de inspeções
regulares nas celas, problemas na iluminação da área externa e controle
precário de ferramentas na unidade para executar o plano.

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