O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco
Rubio, afirmou que o presidente Lula (PT) não negociou “de boa-fé” com o
governo americano e colocou “o próprio ego” acima de um acordo que, segundo
ele, seria benéfico para o povo brasileiro.
A declaração foi divulgada após a confirmação de uma
tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.
Rubio afirmou que as políticas econômicas do governo
Lula são “ruins para os americanos e ruins para os brasileiros”. Segundo o
secretário, “as tarifas são o preço por isso”, ao justificar a decisão
anunciada pelo governo dos EUA.
O governo americano afirma que a medida também está
baseada em uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do
Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que aponta supostas
práticas consideradas desleais por parte do Brasil.
Entre os pontos citados estão restrições ao etanol
americano, questões envolvendo propriedade intelectual, decisões judiciais
sobre plataformas digitais, desmatamento ilegal e regras relacionadas ao PIX.
A tarifa de 25% começa a valer em 22 de julho e deve
atingir cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras por ano, segundo
estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Alguns dos principais
produtos exportados pelo Brasil ficaram de fora da nova cobrança.
Principais produtos isentos:
- Café
(em grão)
- Sucos
e laranjas
- Petróleo
bruto e gás natural
- Aeronaves
civis, motores e componentes aeroespaciais (Embraer)
- Produtos
farmacêuticos
- Semicondutores
e peixes/crustáceos
- Setores
e produtos mais afetados pela nova tarifa de 25%:Etanol — um dos
principais alvos da investigação.
- Máquinas
e equipamentos — agrícolas, elétricos, de mineração e bens de capital.
- Calçados
e vestuário.
- Produtos
de madeira e papel (incluindo embalagens e papel-cartão).
- Manufaturados
em geral — ferramentas de jardinagem, equipamentos industriais processados
e itens químicos diversos.
- Aço
e alumínio continuam com tarifas elevadas (até 50% em alguns casos),
somando-se à nova medida.
- Carne
bovina
Os Estados Unidos afirmam que continuam abertos a
negociações, mas alertaram que eventuais medidas de retaliação por parte do
Brasil poderão provocar novas respostas comerciais.
Reação
O governo brasileiro classificou a decisão como
injustificada e informou que pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei
de Reciprocidade Econômica e à Organização Mundial do Comércio (OMC), conforme
informações do Diário do Poder.


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