Marco Rubio, secretário de Estado americano, colocou
a culpa em Lula pelas tarifas de 25%, no mínimo, que os Estados Unidos
aplicarão mesmo a produtos brasileiros.
“Para que não haja confusão sobre o motivo: o
presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”, escreveu
Marco Rubio, acrescentando que o presidente brasileiro colocou “o próprio ego à
frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro” e que “as tarifas
são o preço por isso”.
O secretário americano pode até ter dado uma
piscadela para Flávio Bolsonaro, a quem Lula espertamente responsabiliza pela
aplicação das tarifas, jogando no erro de Donald Trump de dar uma conotação
político-eleitoral a sua natural sanha tarifária. Mas Marco Rubio não está
mentindo.
Faltou vontade ao governo brasileiro para negociar
de verdade com os Estados Unidos, assim como fizeram os governos dos demais
países. Faltou reconhecer que, independentemente de Donald Trump ser quem é,
são velhas e justas as reclamações americanas contra o nosso protecionismo e a
nossa sem-vergonhice na falta de proteção à propriedade intelectual.
Também é justa a nova reclamação sobre as ações que
STF e Planalto tomaram contra as Big Techs americanas, ao responsabilizá-las
por conteúdos que os seus usuários postam, inclusive conteúdos políticos, em
evidente intenção censória.
Havia, no entanto, uma forma de contornar
dificuldades. O que os americanos querem, principalmente, é acesso às terras
raras brasileiras para diminuir a dependência da China. Terras raras são aqueles
minerais necessários para a fabricação de toda sorte de equipamentos
eletrônicos.
Lula deu até uma reboladinha para Donald Trump ao
tocar no assunto, mas depois voltou à discurseira de defesa da soberania, do
repúdio ao entreguismo e coisa e tal.
Por quê? Porque lhe rende votos na eleição
presidencial. A má-fé do chefão petista é esta: em vez de tomar a defesa dos
interesses das empresas brasileiras, usando das cartas de que o país dispõe, e
as terras raras são uma carta e tanto, ele seguiu no caminho do populismo
eleitoral para beneficiar apenas si próprio e o seu partido.
Em troca do acesso às terras raras, os americanos
poderiam nos dar conhecimento e tecnologia para explorá-las a contento. Coisas
que nós não temos. Seria uma parceria em que ambos os lados ganhariam.
O governo Lula, porém, não quis conversar a sério a
respeito desse tema. Escuda-se na quantidade de reuniões para esconder a falta
de qualidade delas. Preferiu o oportunismo carregado de demagogia
antiamericana, tão cara à esquerda e tão à mão com Donald Trump em Washington,
como se negociar e usar alavancas para minimizar danos hoje e obter vantagens
amanhã, em relações sobretudo comerciais, fosse atentar contra a independência
nacional, quando é o contrário.
Agora, Dario Durigan, o apparatchik à frente do
Ministério da Fazenda, tenta minimizar o impacto das tarifas dos Estados Unidos
sobre a economia nacional, dizendo que terá efeito insignificante no PIB.
É redutor e burro. Perder espaço no maior mercado
consumidor do mundo é erro estratégico grosseiro, em especial para os setores
mais tecnológicos, com maior valor agregado, caso dos exportadores de
maquinário, que devem ficar fora da exceções tarifárias.
Lula e os seus apparatchiks pensam em retaliar.
Duplamente estúpido. Não temos o poder de fogo da China, e é praticamente certo
que, se partirmos para a retaliação, o governo americano dobrará a aposta
contra o Brasil. O chefão petista é um ratinho que ruge. Ratinho oportunista.

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