O governo brasileiro avalia medidas de reciprocidade
em resposta à tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos
brasileiros, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos
(USTR) já sinaliza que qualquer retaliação por parte do Brasil poderá resultar
em um endurecimento ainda maior das medidas comerciais.
Mas além dessa possibilidade, uma segunda
investigação conduzida pelo órgão norte-americano pode levar à aplicação de uma
tarifa adicional de 12,5% sobre determinados produtos brasileiros, elevando
ainda mais a pressão sobre as exportações do país.
São, portanto, duas investigações diferentes e,
juridicamente, as duas podem gerar tarifas distintas.
Tarifas mais altas
No documento oficial da investigação aberta contra o
Brasil com base na Seção 301 da legislação comercial americana, o USTR afirma
que a resposta do governo brasileiro será determinante para os próximos passos.
Segundo o órgão, caso o Brasil reduza restrições
consideradas prejudiciais ao comércio com os Estados Unidos, as tarifas
atualmente propostas poderão ser reavaliadas. Por outro lado, se o país optar
por adotar medidas de retaliação – como as previstas na Lei da Reciprocidade
Econômica – ou ampliar barreiras ao comércio americano, Washington indica que
as medidas atuais poderão ser consideradas insuficientes, abrindo espaço para
novas tarifas.
A estratégia reforça a política comercial adotada
pela administração Trump, que utiliza as tarifas como instrumento de pressão
para negociar mudanças em temas considerados prioritários pelos Estados Unidos,
entre eles o Pix, o mercado de etanol, acordos tarifários preferenciais com
países como México e Índia, propriedade intelectual, combate à corrupção e
desmatamento ilegal.
Mais 12,5% às tarifas
Então, paralelamente à investigação específica que
atingirá o Brasil no próximo dia 22 de julho – quando o tarifaço deve entrar em
vigor -, o USTR conduz uma outra e ampla investigação envolvendo cerca de 60
economias, também com base na Seção 301. O foco dessa apuração é verificar se
esses países adotam e fiscalizam adequadamente a proibição da importação de produtos
fabricados com trabalho forçado ou trabalho infantil.
De acordo com comunicado divulgado pelo USTR em
junho de 2026, o órgão concluiu, de forma preliminar, que a ausência de medidas
efetivas é considerada “desarrazoada” e prejudica a competitividade das
empresas americanas.
Como consequência, foi proposta a aplicação de uma
tarifa adicional de 12,5% para a maioria dos países investigados, incluindo
nessa lista o Brasil.
Alguns países que apresentaram compromissos parciais
ou possuem acordos comerciais específicos com os Estados Unidos poderão receber
uma tarifa menor, de 10%.
O relatório preliminar já foi divulgado, as
audiências públicas foram realizadas e a decisão final é aguardada para os
próximos dias.
Como as tarifas podem ser acumuladas?
Caso ambas as investigações resultem na aplicação
integral das medidas propostas, parte das exportações brasileiras poderá
enfrentar um aumento significativo nos custos para entrar no mercado americano.
Nesse cenário:
- A
tarifa de 25% decorre da investigação bilateral sobre práticas comerciais
brasileiras.
- A
tarifa adicional de 12,5% está relacionada à investigação sobre trabalho
forçado.
Se as duas medidas forem aplicadas
simultaneamente, alguns produtos brasileiros poderão ser submetidos a
tarifas adicionais de até 37,5%, além das alíquotas de importação já
existentes.
O impacto, porém, não será uniforme. O próprio USTR
prevê listas de exceções para determinados produtos considerados estratégicos
ou já sujeitos a outras regras tarifárias, como alguns itens agrícolas e
produtos abrangidos pela Seção 232.
Jovem Pan

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