terça-feira, 7 de julho de 2026

Com mais de 100 municípios sofrendo com a seca, Governo Lula reduz vazão de água para RN

 


Enquanto o Rio Grande do Norte enfrenta uma das situações mais graves de vulnerabilidade hídrica do Nordeste, com 118 municípios em situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal, o próprio Executivo federal passou a ser alvo de acusações de ter reduzido o fluxo de água da transposição do Rio São Francisco que deveria beneficiar o estado.

Na última sexta-feira (3), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, por meio da Defesa Civil Nacional, reconheceu a situação de emergência em Carnaubais, no Oeste potiguar, em razão da estiagem. A falta de chuvas, segundo o próprio reconhecimento federal, compromete o abastecimento de água, a produção agrícola e a criação de animais, atingindo diretamente famílias, trabalhadores rurais e pequenos produtores.

O caso de Carnaubais se soma a um quadro alarmante. De acordo com dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, o RN possui atualmente 118 municípios com reconhecimento federal de situação de emergência. São 103 cidades afetadas pela seca, 14 pela estiagem e 7 por enchentes provocadas por fortes chuvas. O reconhecimento permite que as prefeituras solicitem recursos à União para compra de água mineral, cestas básicas, kits de higiene, kits de limpeza e outras ações emergenciais.

Mas, em meio ao avanço da seca e da estiagem, o pré-candidato a deputado federal pelo PL, Nilvan Ferreira, divulgou um vídeo acusando o Governo Federal de ter fechado comportas e reduzido a água da transposição do Rio São Francisco que chegaria ao Rio Grande do Norte. No registro, feito em estruturas do canal em Bom Jesus, ele afirma que o local estaria secando após a interrupção do fluxo.

Segundo Nilvan, a água teria sido liberada apenas temporariamente para produzir imagens de divulgação e propaganda política. Depois disso, ainda conforme a denúncia feita por ele, as comportas teriam sido fechadas, deixando a população sem o abastecimento prometido. “Vocês fizeram gambiarra com container, vocês fizeram gambiarra com ponte, vocês fizeram gambiarra, um espetáculo cinematográfico para você vir fazer toda aquela propaganda”, afirmou.

A acusação é grave porque ocorre justamente no momento em que o próprio Governo Federal reconhece oficialmente a emergência hídrica em dezenas de municípios potiguares. Para Nilvan Ferreira, a população nordestina teria sido enganada com imagens de fartura de água, enquanto, na prática, o canal estaria voltando a secar e a promessa de segurança hídrica não estaria sendo cumprida.

O contraste é direto: de um lado, o Governo Federal publica portarias reconhecendo que municípios do RN precisam de socorro por causa da estiagem e da seca; de outro, é acusado de reduzir ou interromper o fluxo da principal obra hídrica prometida para aliviar o sofrimento do semiárido. Se confirmada, a situação expõe uma contradição dura: o governo reconhece a calamidade, mas seria apontado por adversários como responsável por limitar justamente a água que poderia amenizar a crise.

A situação reacende o debate sobre a efetividade da transposição do São Francisco e sobre a prioridade dada ao abastecimento do Rio Grande do Norte. Para os municípios em emergência, a discussão não é apenas política. É uma questão de sobrevivência, produção, dignidade e acesso à água. O espaço permanece aberto para manifestação do Governo Federal sobre as acusações.

 Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

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