Em mais um capítulo surreal do caso Master, Daniel
Vorcaro incluiu na proposta de delação um pedido para reassumir o controle da
liquidação do Banco Master. Segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha, o
plano é converter a liquidação extrajudicial, hoje comandada pelo Banco
Central, em uma liquidação ordinária conduzida pelos próprios sócios.
Na prática, Vorcaro e seus sócios indicariam um
liquidante para vender os ativos do banco, quitar as dívidas e ficar com o
saldo remanescente. O detalhe que torna isso particularmente ousado: o Fundo
Garantidor de Crédito (FGC) já desembolsou mais de R$ 35 bilhões para pagar
credores do Master, reduzindo significativamente o passivo. Ou seja, o
banqueiro preso quer voltar a controlar um processo que já teve boa parte da
conta paga pelo sistema financeiro.
O governo reagiu com surpresa à proposta.
Autoridades envolvidas nas negociações consideram a ideia improvável, mas o
fato de Vorcaro ter colocado isso na mesa mostra que ele ainda não entendeu a
gravidade da sua situação. A PGR e a PF tendem a endurecer as exigências a
partir de agora.

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