O preço do petróleo subiu mais de 4% nesta
segunda-feira (8) após Israel e Irã trocarem ataques militares pela primeira
vez desde o início do cessar-fogo acordado em abril, elevando o temor de uma
nova escalada no Oriente Médio e de novos riscos ao fluxo de exportação pelo
Estreito de Ormuz.
O Brent, referência internacional, avançou
4,9% e chegou a US$ 97,65 o barril, atingindo a máxima de US$ 97,83
durante o pregão. O WTI americano subiu 4,5%, para US$ 94,64 o barril, com pico
próximo de US$ 95.
Ataques e reações
A Força Aérea israelense afirmou ter atingido
alvos militares no oeste e no centro do Irã. Teerã respondeu com novos
ataques às bases aéreas israelenses de Nevatim e Tel Nof, segundo a agência
semioficial Fars, citando a Guarda Revolucionária Islâmica.
Os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, também anunciaram o bloqueio
de navios israelenses no Mar Vermelho.
O presidente americano Donald Trump foi informado
dos ataques e afirmou que a ofensiva iraniana “certamente não vai ajudar as
negociações”. Um oficial iraniano envolvido nas conversas com
Washington disse que “um acordo com o presidente Trump não é mais viável
neste estágio”.
Trump havia pedido ao primeiro-ministro israelense
Benjamin Netanyahu que não retaliasse, mas Israel ignorou o apelo. O
líder americano disse que cabe a ele, não a Netanyahu, ditar os termos de
qualquer acordo com o Irã. “Eu dou as ordens. Eu dou todas as ordens”, afirmou
o presidente ao Financial Times.
Mercado teme Ormuz
Analistas alertam para os riscos ao Estreito de
Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo
mundial. A via já opera perto do fechamento desde o agravamento das tensões na
região, há dois meses.
“A escalada entre Israel e Irã mostra mais uma vez
como o cessar-fogo é frágil”, disse Andy Lipow, presidente da Lipow Oil
Associates, citado pela Bloomberg. “O aumento das hostilidades eleva o risco
geopolítico de um fechamento prolongado do estreito e a chance de o Irã adotar
medidas adicionais para restringir a navegação no Mar Vermelho.”
Para o mercado, mesmo que um acordo de paz entre
Washington e Teerã seja fechado, a retomada normal do fluxo de petróleo
enfrentaria obstáculos: remoção de minas em Ormuz, reativação de campos que
podem levar meses para voltar à produção e reparos em infraestrutura energética
danificada por drones e mísseis.
“O mercado continua oscilando entre precificar um
acordo e precificar a realidade de que nenhum dos lados mudou de posição”,
disse Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital, à
Bloomberg. “Cada vez que o otimismo vai longe demais, o petróleo recua.”
OPEP+ eleva cotas
Em paralelo ao agravamento do conflito, a OPEP+
aprovou mais um aumento nas cotas de produção para julho, de 188 mil barris por
dia. É o quarto reajuste consecutivo desde o fechamento do Estreito de Ormuz,
embora grande parte dos membros do bloco ainda enfrente dificuldades para
escoar o petróleo pelo Golfo Pérsico.

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