Cartas manuscritas apreendidas pelo Ministério
Público na casa do ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto revelam
tentativas de alinhar versões entre investigados do esquema bilionário de
corrupção e lavagem de dinheiro investigado pela Operação Ícaro.
A CNN Brasil teve acesso aos documentos encontrados
durante o cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão realizados na
quarta-feira (10), em São Paulo.
Em uma das cartas, Artur pede que um dos
investigados assine uma procuração para o advogado responsável pela defesa do
grupo.
“Confia em mim, pode assinar a procuração para
(advogado de Arthur) assinar por favor. Isso é muito importante para vencermos
tudo. Você me conhece muito bem para saber que sou eu falando”, diz o
manuscrito.
Outra carta, intitulada “obrigações a fazer”, traz
anotações relacionadas a pagamentos e movimentações financeiras. Entre os itens
listados aparecem frases como “fazer conexão de trabalho”, “receber honorários
da Fast Shop” e “negociar dívidas”.
Os investigadores também encontraram documentos com
cálculos numéricos e anotações ligadas ao pagamento de mesadas para
investigados e familiares.
Em outro trecho, direcionado a uma pessoa
identificada como Rafael, Artur orienta o investigado a não colaborar com o
Ministério Público.
“Rafael, não faça acordo com o MP, não faça delação,
não confie no MP. Fica tranquilo que nós vamos resolver tudo”, escreveu. Ao
final da mensagem, ele assina como “The King”.
Documentos obtidos pela CNN Brasil também detalham
os impactos financeiros já identificados pelas investigações, que somam R$ 8,53
bilhões em prejuízos.
Segundo os levantamentos, a Secretaria da Fazenda e
Planejamento do Estado de São Paulo já contabiliza R$ 5,75 bilhões em danos
relacionados ao esquema. Desse total, R$ 1,93 bilhão estão ligados a créditos
de ressarcimento e R$ 3,82 bilhões a outros créditos investigados.
Entre as empresas citadas nas apurações aparecem
Fast Shop, com cerca de R$ 2 bilhões envolvidos, e Ultrafarma, com
aproximadamente R$ 1 bilhão.
As investigações também apontam um prejuízo estimado
em R$ 1,74 bilhão à Receita Federal do Brasil.
Artur é réu em sete ações penais e deve responder
por outras três denúncias que devem ser apresentadas pelo Ministério Público.
Ele é investigado por mais de 130 crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.
O ex-auditor foi preso na própria casa, na manhã
dessa quarta-feira (10), em Ribeirão Pires. Ele estava na residência
acompanhando de um garoto de programa, com quem mantinha um relacionamento.
Artur é apontado pelo Ministério Público como
articulador central de uma organização criminosa "complexa e de alta
potencialidade lesiva", voltada à fraudulenta aprovação de créditos de
ICMS junto à Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo), no
contexto da "Operação Ícaro", deflagrada em 2025.
Portal 96

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