sexta-feira, 12 de junho de 2026

Inflação é a maior para maio em 5 anos e ultrapassa teto da meta em 12 meses

 


A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou a 0,58% em maio, após marcar 0,67% em abril, disse nesta sexta-feira (12) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Apesar da trégua em relação ao mês anterior, a taxa de 0,58% é a maior para maio em cinco anos, desde 2021 (0,83%). A variação também ficou acima da mediana das previsões do mercado financeiro, que era de 0,53%, conforme a agência Bloomberg.

No acumulado de 12 meses, o IPCA mostrou alta de 4,72% até maio, depois de marcar 4,39% até abril, disse o IBGE.

Com o novo resultado, o índice ultrapassou o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). Isso não ocorria desde outubro do ano passado.

A meta serve de base para a política monetária do BC. A instituição passou a cortar a taxa básica de juros (Selic) em março, mas as recentes pressões sobre a inflação e a piora de expectativas acenderam alerta.

O temor de analistas é de que o cenário interrompa o ciclo de queda dos juros antes do que era esperado. A Selic está em 14,5% ao ano.

O Copom (Comitê de Política Monetária), ligado ao BC, volta a se reunir na próxima semana para definir o patamar da taxa. A decisão sai na quarta (17).

ALIMENTOS PRESSIONAM IPCA

Os alimentos voltaram a pressionar a inflação. No IPCA de maio, a maior variação (1,33%) e o principal impacto (0,29 ponto percentual) vieram do grupo aimentação e bebidas. Assim, o segmento respondeu por metade do índice mensal, disse o IBGE.

Dentro do grupo, a alimentação no domicílio registrou alta de 1,65%. Houve influência dos aumentos da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,8%) e das carnes (1,39%).

"O aumento nestes itens se deve a questões de menor oferta e também há influência do valor do frete por conta da alta dos combustíveis", disse o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves.

Parte da fala é uma referência à guerra no Irã, que pressionou as cotações do petróleo. Um dos reflexos iniciais no Brasil foi a alta dos preços dos combustíveis, incluindo o óleo diesel, que pressiona o custo dos fretes nas rodovias.

O horizonte do segundo semestre tem o desafio adicional do fenômeno climático El Niño, que altera a distribuição de chuvas.

Previsões indicam risco de um evento com forte intensidade. A situação pode atrapalhar a produção agropecuária, com eventuais repasses para os preços dos alimentos até o final do ano.

Como mostrou a Folha, economistas revisaram para cima as suas estimativas para a inflação da alimentação no domicílio em 2026. Eles passaram a projetar alta de 7% ou mais para o acumulado desse componente.

Na mediana, as expectativas do mercado financeiro apontam IPCA de 5,11% nos 12 meses até dezembro, conforme a edição mais recente do boletim Focus, publicada pelo BC na segunda (8). A estimativa está em alta há 13 semanas consecutivas.

A meta de inflação perseguida pelo BC tem centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa teto de 4,5% e piso de 3% para o acumulado de 12 meses.

A meta é considerada descumprida quando o IPCA permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância no acumulado.

Folha de São Paulo

 

 

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