O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) avalia que será difícil, ao menos no curto prazo, reverter a decisão dos
Estados Unidos de classificar as duas maiores facções criminosas brasileiras, o
Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações
terroristas estrangeiras.
Segundo informações do Metrópoles, a percepção no
Planalto é de que a medida tem forte componente político, o que reduz as
chances de revisão imediata. Integrantes da gestão Lula também consideram
improvável que o governo de Donald Trump adote ações relevantes relacionadas à
classificação.
Interlocutores do presidente afirmam que não há
perspectiva de efeitos imediatos diretos, como uma eventual intervenção militar
dos EUA no Brasil.
A principal preocupação, no entanto, está nos
impactos econômicos. Na avaliação do governo, a medida pode prejudicar a imagem
do país perante investidores estrangeiros e gerar riscos sistêmicos,
especialmente no sistema bancário e em mecanismos como o Pix.
O anúncio, feito pelo Departamento de Estado na
última quinta-feira (28/5), prevê que PCC e CV serão incluídos, a partir desta
sexta-feira (5/6), na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na
sigla em inglês) e também na categoria de Terroristas Globais Especialmente
Designados (SDGT).
Na prática, a decisão amplia o alcance jurídico das
sanções norte-americanas e equipara as facções brasileiras a cartéis mexicanos,
gangues centro-americanas e outros grupos armados internacionais.
Como mostrou o Metrópoles, fontes do Departamento de
Estado informaram que qualquer pessoa ou empresa — dentro ou fora dos Estados
Unidos — que mantenha relações financeiras ou materiais com integrantes dessas
organizações poderá sofrer sanções, responder criminalmente e até ser deportada
do território norte-americano.
Ainda de acordo com a diplomacia dos EUA, indivíduos
e empresas que fornecerem “apoio material ou recursos” às facções estarão
sujeitos a acusações criminais e restrições migratórias.

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