O colunista Carlos Andreazza trata da operação que
levou a uma busca e apreensão na residência do senador Ciro Nogueira, suspeito
de receber uma mesa que ia de R$ 300 mil a R$ 500 mil do ex-banqueiro Daniel
Vorcaro.
Andreazza comenta uma reportagem do Estadão,
assinada por Aguirre Talento, Fausto Macedo e Felipe de Paula, que cita o
episódio da entrega de um envelope de Vorcaro para Ciro Nogueira com a redação
de uma emenda para favorecer o Master.
“Ciro Nogueira apresentou a emenda de número 11, que
mudava os limites de ressarcimento no Fundo Garantidor de Crédito. Era e é
ainda de R$ 250 mil e passaria a R$ 1 milhão. Então, quase como estendendo,
valorizando a propaganda que Vorcaro fazia. Em resumo, era o seguinte: ‘Pode
botar dinheiro aqui que até R$ 250 mil o FGC segura’. E isso iria a R$ 1
milhão. A gente fica sabendo agora que o texto dessa emenda foi preparado por
Vorcaro, pelo jurídico do Master, e que Ciro Nogueira colocou para jogo”,
comenta Andreazza.
Em referência a mensagens trocadas por Daniel
Vorcaro com Alexandre de Moraes no dia de sua prisão, Andreazza lembra: “Xandão
era o bloqueador no jogo de vôlei. Ciro Nogueira era o que cortava. Ciro
Nogueira era, na política, para Vorcaro, o que seria Xandão no Judiciário, no
Direito, no Supremo Tribunal Federal. O amigo, o parceiro, o homem de
confiança”, enfatiza.
Ao comentar a operação, o colunista também destaca o
fato de a ação ter acontecido dias após do Senado rejeitar a escolha de Jorge
Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
“A Polícia Federal está na pista, pela primeira vez,
no caso da Compliance Zero, avançando sobre o Senado, um senador muito
importante, próximo a Davi Alcolumbre, na semana seguinte ao movimento liderado
por Davi Alcolumbre para rejeitar Jorge Messias como ministro do Supremo e aplicar
um tremendo revés ao governo Lula”, destaca Andreazza, lembrando que a PF
também precisará se debruçar sobre as relações de Vorcaro com Davi Alcolumbre.
“O governo Lula está botando as manguinhas de fora.
Vamos ver quais serão os próximos capítulos da Compliance Zero sobre políticos,
sobre o Parlamento, especialmente sobre o Senado”, enfatiza.
Carlos Andreazza - Estadão
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